Bem vindo ao Apostolado Beata Imelda e Eucaristia!

A nossa intenção é a de divulgar a história da Bem-Aventurada Imelda Lambertini, dominicana, que faleceu aos 11 anos de idade logo após a sua Primeira Comunhão. O conteúdo do blog se restringirá apenas à meditações sobre a vida e exemplo da Beata Imelda Lambertini e também a postagens de textos e escritos dos mais diversos santos que tenham registrado documentos à respeito da Santa Missa e da Santíssima Eucaristia.

"Não sei como as pessoas não morrem de alegria ao receberem Nosso Senhor na Eucaristia!" (Beata Imelda Lambertini).

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da meditação sobre a Eucaristia por meio de Maria Santíssima(parte I)



I. A profissão especial que fazemos de honrar a Eucaristia não deve diminuir a nossa devoção para com a Santíssima Virgem. Longe disso! Proferiria uma blasfêmia quem dissesse; Basta-me o Santíssimo Sacramento; não preciso de Maria! — Mas, onde encontraremos Jesus na terra senão em seus braços?

Não foi Ela que nos deu a Eucaristia? Foi o seu consentimento à Encarnação do Verbo no seu seio que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união conosco que Jesus realizou durante sua vida mortal e continua agora no Santíssimo Sacramento.

Sem Maria não poderíamos ir a Jesus, porque Ela O possui em seu coração: aí encontra Ele as suas delícias, e todos que quiserem conhecer as virtudes íntimas de Jesus, seu amor recôndito e privilegiado, devem procurá-los no Coração de Maria; os que amam esta boa Mãe encontram Jesus em seu coração tão puro.

Oh! jamais separemos Jesus de Maria; não poderíamos ir a Ele sem passar por Ela. Ouso mesmo afirmar que quanto mais amarmos a Eucaristia, tanto maior será nosso amor para com a Santíssima Virgem; amamos tudo quanto ama um nosso amigo; ora, existe por ventura uma criatura mais amada de Deus, mãe que tenha sido mais ternamente querida por seu filho do que foi Maria por Jesus?

Oh! sim, Nosso Senhor teria grande pesar se nós, servos de sua Eucaristia, não honrássemos deveras a Maria, porque Ela é sua Mãe; Nosso Senhor tudo lhe deve na ordem de sua Encarnação e de sua natureza humana; foi pela carne que d'Ela recebeu que Ele tanto glorificou a seu Pai, que nos salvou e que continua a alimentar e salvar o mundo no Santíssimo Sacramento.

Nosso Senhor quer que A honremos tanto mais agora quanto em sua vida mortal Ele pareceu ter se descuidado de fazer. Sem dúvida Ele A honrou em sua vida particular; porém, em público, deixou-A na sombra; antes de tudo tinha que afirmar e sustentar a sua dignidade de Filho de Deus.

Mas hoje Nosso Senhor quer que de algum modo indenizemos à Santíssima Virgem de tudo quanto Ele não pôde fazer exteriormente por Ela; e somos obrigados, no interesse de nossa salvação, a honrá-l'A como Mãe de Deus e como nossa própria Mãe.

O prêmio de uma Santa Missa celebrada em honra de Maria



Uma grande pecadora conservara, em sua vida de desordens, o costume de recitar diariamente uma Ave Maria, e mandou celebrar, num dia de sábado, o Santo Sacrifício em honra da Santíssima Virgem para obter sua proteção na hora da morte. Chegando esse instante supremo, o demônio se apresentou imediatamente, com rugidos ameaçadores, para se apoderar da pobre alma.   Maria, porém, não se esquecera da Missa celebrada em sua honra: arrebata, pois, das garras do demônio, essa alma que ele já se apressava em lançar no abismo eterno. "Não sabes tu, monstro do inferno, lhe diz Maria, que esta alma chamava por mim todos os dias, e que mandou celebrar uma vez a Santa Missa em minha honra?" — É verdade, replica Satanás, é inumerável, porém a multidão de seus crimes! — “Convence-te, retruca a Santíssima Virgem, que não pode perecer a alma que recorre a mim.” O demônio derrotado com esta resposta, fugiu soltando gritos horríveis, e Maria, radiante de júbilo, levou para o céu essas almas feliz, gloriosa conquista de seu amor materno.

(Laghi. c. LXXIX). 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Do Sacramento do Altar - Devota exortação à sagrada comunhão


Devota exortação à sagrada comunhão

Para melhor refletirmos à respeito da importância de se receber bem Sagrada Comunhão


VOZ DE CRISTO

Vinde a mim todos que penais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei, diz o Senhor (Mt 11,78). 

O pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo (Jo 6,52). 

Tomai e comei, este é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim (Lc 22,19). 

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele (Jo 6,57). 

As palavras que eu vos disse são espírito e vida (Jo 6,64).


1. Com quanta reverência cumpre receber a Cristo

VOZ DO DISCÍPULO

São vossas essas palavras, ó Jesus, verdade eterna, ainda que não fossem proferidas todas ao mesmo tempo, nem escritas no mesmo lugar. Sendo vossas, pois, essas palavras e verdadeiras, devo recebê-las todas com gratidão e fé. São vossas, porque vós as dissestes; e são também minhas, porque as dissestes para minha salvação. Cheio de alegria as recebo de vossa boca, para que mais profundamente se me gravem no coração. Animam-se palavras de tanta ternura, atemorizam-me os meus pecados, e minha consciência impura me afasta da participação de tão altos mistérios. Atrai me a doçura de vossas palavras, mas me oprime a multidão de meus pecados.

Mandais que me chegue a vós com grande confiança, se quero ter parte convosco; e que receba o manjar da imortalidade, se desejo alcançar a vida e glória eterna. Vinde, dizeis vós, vinde a mim todos que penais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Ó palavra doce e amorosa aos ouvidos do pecador: vós, Senhor meu Deus, convidais o pobre e indigente à comunhão de vosso santíssimo corpo, mas quem sou eu, Senhor, para ousar aproximar-me de vós? Eis que os céus dos céus não vos pode abranger, e dizeis: Vinde a mim todos!

Que quer dizer essa condescendência tão meiga e esse tão amoroso convite? Como me atreverei a chegar-me a vós, quando não conheço em mim bem algum em que me possa confiar? Como posso acolher-vos em minha morada, eu, que tantas vezes ofendi a vossa benigníssima face? Tremem os anjos e os arcanjos, estremecem os santos e os justos, e vós dizeis: Vinde a mim todos! Se não fosse vossa essa palavra, quem a teria por verdadeira? Se vós o não ordenásseis, quem ousaria aproximar-se?

Noé, o varão justo, trabalhou cem anos na construção da arca para salvar-se com poucos: como me poderei eu preparar numa hora para receber com reverência o Criador do mundo? Moisés, vosso grande servo e particular amigo, fabricou a arca de madeira incorruptível, e revestiu-a de ouro puríssimo, para guardar nela as tábuas da lei; e eu, criatura vil, me atreverei a receber-vos com tanta facilidade, a vós, que sois o autor da lei e o dispensador da vida? Salomão, o mais sábio dos reis de Israel, levou sete anos a edificar o templo magnífico, em louvor de vosso nome, e celebrou por oito dias a festa de sua dedicação, ofereceu mil hóstias pacíficas, e ao som das trombetas e com muito júbilo colocou a arca da aliança no lugar que lhe havia sido preparado. E eu, o mais miserável de todos os homens, como poderei receber-vos em minha casa, quando mal sei empregar meia hora com devoção? e oxalá que uma vez sequer a houvesse empregado dignamente!

Ó meu Deus, quanto se esforçaram esses vossos servos para agradar-vos! Ai, quão pouco é o que eu faço! Quão pouco o tempo que gasto em preparar-me para a comunhão! Raras vezes estou de todo recolhido, raríssimo livre de toda distração. E, todavia, na presença salutar de vossa divindade não me devia ocorrer pensamento algum impróprio, nem eu me devia ocupar de criatura alguma, pois vou hospedar, não a um anjo, senão ao Senhor dos anjos.

A contemplação Eucarística de Maria




I. A Contemplação segue naturalmente a adoração e a ação de graças, alimentando-as e aperfeiçoando-as, ao mesmo tempo. A contemplação eucarística é o olhar que a alma fixa em Jesus Sacramentado para conhecer detalhadamente suas perfeições, admirar sua bondade na instituição da Eucaristia, estudar-lhe os motivos, examinar-lhe os sacrifícios, avaliar-lhe os dons e apreciar-lhe o amor.

O primeiro fruto da contemplação eucarística consiste em fixar e concentrar a alma em Nosso Senhor, descobrindo-lhe o mistério de suas perfeições e o amor que se encerra no dom inefável da Eucaristia; este olhar refletido e prolongado sobre o amor excessivo de Jesus, ao preparar, instituir e perpetuar o adorável Sacramento, desperta em nós, em primeiro lugar, a admiração, em seguida o louvor, e por fim a expansão do amor; a alma sai de si mesma para se unir e aderir ao objeto divino de sua contemplação. Daí resulta ser a contemplação a parte essencial da adoração; é seu foco.

II. Nossa Senhora diante da Eucaristia se absorvia numa contemplação que nenhuma língua humana ou angélica poderia exprimir, somente Jesus Cristo, que era seu objeto, conhecia-lhe o valor. Maria possuía o mais perfeito conhecimento do amor que Jesus demonstrara instituindo a Eucaristia; conhecia as lutas que tivera de sustentar com seu Coração e os sacrifícios que lhe custara a instituição desse Sacramento; lutas do amor divino contra a incredulidade e a indiferença da maioria dos homens; lutas da santidade contra a impiedade, as blasfêmias e os sacrilégios de que seria alvo a Eucaristia, não somente por parte dos hereges, mas também de seus próprios amigos; lutas de sua bondade contra a ingratidão dos cristãos negligentes em recebê-lo na Comunhão, recusando desse modo suas melhores graças e seus mais ternos convites. O amor de Jesus, porém, triunfou de todos esses obstáculos. "Apesar de tudo hei de amar os homens, e sua malícia não poderá desanimar nem vencer minha bondade!"

Maria acompanhara essas lutas, partilhara esses sacrifícios e fora testemunha da vitória; evocava essas lembranças em sua adoração, relembrava esses fatos ao Salvador, exaltando o amor que O fizera vencer.

III. Para apreciar o dom da Eucaristia, o adorador deve, a exemplo da Virgem Santíssima e em união com Ela, volver à sua origem, aos sacrifícios que custou ao amor de Nosso Senhor.   Se o amor é belo no Calvário, mostra-se ainda mais belo no Cenáculo e no Altar, pois aí é o amor perpetuamente imolado. A compreensão dessas lutas e dessa vitória fará ver ao adorador o que deve em compensação a um Deus tão bondoso. Então, com Maria, sua divina Mãe, se oferecerá de todo o coração a Jesus Eucarístico, a fim de bendizê-lO e agradecer tanto amor; consagrar-se-á a honrar os diversos estados de Jesus Sacramentado, praticando em sua vida as virtudes que o Divino Salvador aí exercita, glorificando-as de um modo admirável. O adorador honrará a profunda humildade do Salvador, que O leva até o aniquilamento total sob as santas espécies, honrará o sacrifício da sua própria glória e omnipotência, que O torna prisioneiro do homem; a obediência que faz d'Ele o servo de todos, tomando a Virgem Maria como a verdadeira Mãe da vida eucarística para ajudá-lo nesse estudo prático. Confiará em Maria, amando-A como a Mãe dos adoradores, que é o título mais caro ao seu coração e o mais glorioso para Jesus.

domingo, 21 de outubro de 2012

A Eucaristia - Centro da vida de Maria




I. A Santíssima Virgem vivia da vida eucarística de Jesus porque o amor requer a comunhão de vida.

Em Belém e Nazaré viveu da vida pobre e oculta de Jesus; no Egito, de sua vida perseguida; através das aldeias da Judeia, de sua vida apostólica, e, tendo também compartilhado de sua vida crucificada, devia, por conseguinte, e com maior razão, viver da vida eucarística de seu Divino Filho, que é a coroa de todas as outras.

Por meio da Eucaristia a Santíssima Virgem vivia uma vida totalmente interior, silenciosa e oculta, afastada do mundo, tendo Jesus por única testemunha e confidente. Sua vida transcorre na contemplação, em agradecer a infinita bondade da Eucaristia, e esta visão absorve completamente seu espírito, alimentando-o com a verdade; penetra suavemente seu coração, que não tem outro desejo e necessidade senão amar sempre melhor entregando-se completamente e cada vez mais a Jesus; o próprio corpo de Maria participa dos gozos e da paz celestial dessa vida; está totalmente espiritualizado; "Cor meum et caro mea exsultaverunt in Deum vivum". “Meu coração e minha carne exultaram em Deus meu Salvador”.
                                                  
II. Esta contemplação eucarística é mais ativa que passiva; é a alma que se entrega sem cessar a Deus, sob a impressão sempre nova e sempre mais deliciosa de sua bondade, sob a influência crescente das chamas de seu amor que a purificam dando-lhe a verdadeira liberdade e unindo-a mais intimamente ao seu Amado.
O recolhimento é a primeira condição para atingir esta contemplação; a alma, livre das imagens, dos objetos exteriores, desprendida de todo o afeto desordenado, se dirige diretamente a Deus como a agulha magnética para seu polo. A alma recolhida e fixada em Jesus alimenta-se de sua verdade, de sua bondade e de seu amor; a oração prolongada pouco ou nada lhe custa, pois livre de toda a escravidão pode seguir o Salvador por onde quer que vá sem que coisa alguma a violente ou a atraia para outro objeto; e ademais porque, sempre presente a si mesma, pode estudar e aprofundar os mistérios sobre os quais medita; vê as coisas em Jesus Cristo, em toda a sua realidade; o recolhimento e a contemplação fortificam sua vista tornando-a refletida e penetrante.

III. Quão perfeita devia ser a contemplação de Maria aos pés do Santíssimo Sacramento, dadas as luzes tão extraordinárias de sua fé, a pureza de sua vida e o amor tão perfeito de seu coração! Certamente as distrações, essa febre do espírito e do coração, jamais perturbariam a paz que fruía no seu Dileto. Sua alma, mais intimamente unida a Jesus do que seu próprio corpo, sorvia a largos tragos a água viva da graça e do amor; olvidava-se da terra para ficar só com Jesus, porque o amor se compraz em isolar-se, em simplificar-se e concentrar-se na unidade a fim de aderir sempre mais estreitamente a seu objeto.
O adorador, unindo-se a Maria adoradora, aplique-se com paciência e constância à virtude do recolhimento; exercite-se na contemplação de Jesus Cristo, procurando antes conhece-lO que gozar d’Ele, porque o amor nasce da verdade conhecida e, por isso, uma graça de luz vale muito mais do que a maior graça de consolação ou de doçura; o sentimento passa, mas a verdade permanece.

Oh! feliz a alma que a exemplo de Maria compreende esse mistério de amor, o deseja, clama por ele sem tréguas, e nele se exercita sem cessar; o reinado de Deus estabeleceu-se nela.


Matéria e Forma do Sacramento da Eucaristia - Santo Tomás de Aquino





Qual é a matéria do Sacramento da Eucaristia?

Pão de trigo e vinho de uva (LXXIV, 1, 2).

Que sucede na matéria, no momento de consagrar?

Que a substância do pão deixa de ser pão e a do vinho deixa de ser vinho (LXXIV, 2).

Em que se convertem as substâncias do pão e do vinho?

A do pão no corpo de Jesus Cristo e a do vinho no seu sangue (LXXV, 3, 4).

Que nome tem esta conversão ou troca?

O de Transubstanciação (LXXV, 4).

Que expressa a palavra transubstanciação?

A conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue.

Quem é capaz de efetuar tão estupenda transformação?

Só a Onipotência divina (Ibid).

Converte-se no corpo e sangue de Cristo somente a substância, ou tudo o que existe no pão e no vinho?

Somente a substância, permanecendo sem alteração os acidentes (LXXV, 2 ad 3).

Que entendeis, quando afirmais que permanecem os acidentes?

Que continuam, no mesmo estado, a extensão ou quantidade, a figura, a cor, o gosto, resistência e mais propriedades ou entidades sensíveis, por meio das quais viemos ao conhecimento do pão e vinho, antes da consagração.

Por que não se transformam também os acidentes?

Porque são necessários para manter e assegurar a presença sacramental de Jesus Cristo (Summa contra gentes, livro IV cap. LXIII)

Que aconteceria, se os acidentes se transformassem em corpo e sangue de Cristo?

Que o que foi pão e vinho desapareceria absoluta e totalmente (Ibid).

Que se segue, pelo contrário, com a permanência das espécies sacramentais?

Que, ligados a elas, mediante as suas respectivas substâncias, estão o corpo e sangue de Cristo, do mesmo modo como o estavam as substâncias do pão e vinho, de sorte que, assim como antes da transubstanciação, ao tocar os acidentes, tínhamos nas mãos as substâncias do pão e do vinho, temos, depois da transubstanciação, o corpo e o sangue de Cristo (Ibid).

O que há sob as espécies depois da consagração é, identicamente, o mesmo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Sim, Senhor (LXXV, 1).

Acha-se Jesus Cristo inteiro e completo no sacramento da Eucaristia?

Sim, Senhor; porque, se bem que sob as espécies do pão, em virtude das palavras sacramentais, só está o corpo e sob as do vinho o sangue, por concomitância, e já porque é impossível separar, na sua humanidade, os dois elementos, como foram separados na cruz, onde quer que esteja o corpo, ali está o sangue e a alma, e, onde se ache o sangue, o acompanham a alma e o corpo. Quanto à divindade não há dificuldades, pois, nunca, nem mesmo durante a morte do Redentor, se separou a pessoa divina da cada um dos componentes de sua humanidade (LXXVI, 1, 3).

Está Jesus Cristo inteiro em cada parte das espécies sacramentais?

Enquanto as espécies permanecem indivisas está completo em todo o Sacramento, e quando se fracionam, está tantas vezes inteiro e completo, quantas partes se hajam feito (LXXVI, 3).

É possível ver, tocar, ou de algum modo chegar ao corpo de Jesus Cristo no estado sacramental?

Não, Senhor; porque aquelas espécies acessórias aos nossos sentidos, não são acidentes do corpo de Cristo, único meio de chegar à sua substância (LXXV, 4-8).

Que se deduz desta verdade?

Que as espécies sacramentais o encerram como prisioneiro, e por sua vez o protegem, de sorte que, quando algum desalmado intente enfurecer-se contra o corpo de Cristo, só consegue profanar o Sacramento.

São inalteráveis as espécies sacramentais depois da consagração?

Não, Senhor; decompõem-se e transformam-se depois de poucos momentos de ingeridas como alimento, e também se corrompem abandonadas por muito tempo à ação dos agentes atmosféricos (LXXVII, 4).

Que sucede quando as espécies deixam de ser os acidentes do pão e do vinho, consagrados?

Que no mesmo instante cessa a presença eucarística de Jesus Cristo, pelo fato de desaparecer o motivo que o retinha enlaçado aos acidentes, e, mediante os acidentes, ao lugar por eles ocupado (LXXVI, 6 ad 3).

Logo, a presença eucarística de Jesus Cristo num lugar depende exclusivamente da consagração e da permanência dos mesmos acidentes do pão e do vinho consagrados?

Sim, Senhor; visto que a razão de tal presença, não podem ser as mudanças operadas no corpo impassível de Cristo, mas no pão e no vinho (Ibid).

Como se consagra?

Pronunciando com as devidas condições, a forma da Consagração (LXXVIII).

Qual é?

Para consagrar o pão: Isto é o meu corpo. Para consagrar o vinho: Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue do novo e eterno testamento, que por vós e por muitos será derramado em remissão dos pecados.

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Retirado do excelente blog:  osegredodorosario.blogspot.com.br 
PEGUES, Tomaz, O. P. A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de catecismo: para uso de todos os fiéis. Taubaté: Editora SCJ, 1942, p. 219-221.