Bem vindo ao Apostolado Beata Imelda e Eucaristia!

A nossa intenção é a de divulgar a história da Bem-Aventurada Imelda Lambertini, dominicana, que faleceu aos 11 anos de idade logo após a sua Primeira Comunhão. O conteúdo do blog se restringirá apenas à meditações sobre a vida e exemplo da Beata Imelda Lambertini e também a postagens de textos e escritos dos mais diversos santos que tenham registrado documentos à respeito da Santa Missa e da Santíssima Eucaristia.

"Não sei como as pessoas não morrem de alegria ao receberem Nosso Senhor na Eucaristia!" (Beata Imelda Lambertini).
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domingo, 14 de setembro de 2014

Os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia

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Uma reflexão a partir do roubo de uma hóstia consagrada por um grupo de satanistas

Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante.

Eu me lembrei do fato nos últimos dias em face das atuais notícias de que um culto satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma “missa negra”, a realizar-se neste mês de setembro. O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.

O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.

À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.
Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.
Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma hóstia metodista, ou episcopaliana, ou batista, ou luterana, etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).

De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharam exorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos minusvaloram esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.

Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.

Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada “ad orientem”, ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.

Naquele dia, eu pronunciei as veneráveis palavras da consagração em voz baixa, mas de modo claro e distinto: “Hoc est enim Corpus meum” [Este é o meu Corpo]. O sino tocou enquanto eu me ajoelhava.

Atrás de mim, no entanto, houve algum tipo de perturbação; uma agitação ou sons incongruentes vieram dos bancos da parte da frente da igreja, logo às minhas costas, um pouco mais para a minha direita. Em seguida, um gemido ou resmungo. “O que foi isso?”, perguntei a mim mesmo. Não pareciam sons humanos, mas grasnidos de algum animal de grande porte, como um javali ou um urso, junto com um gemido plangente que também não parecia humano. Eu elevei a hóstia e novamente me perguntei: “O que foi isso?”. Então, silêncio. Celebrando no antigo rito da missa em latim, eu não podia me virar facilmente para olhar. Mas ainda pensei: “O que foi isso?”.

Chegou a hora da consagração do cálice. Mais uma vez eu me curvei, pronunciando clara e distintamente, mas em voz baixa, as palavras da consagração: “Hic est enim calix sanguinis mei, novi et aeterni testamenti; mysterium fidei; qui pro vobis et pro multis effundetur em remissionem pecatorum. Haec quotiescumque feceritis in mei memoriam facietis” [Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, o mistério da fé, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados. Todas as vezes que fizerdes isso, fazei-o em memória de mim].

Então, ouvi mais um ruído, desta vez um inegável gemido e, logo em seguida, um grito de alguém que clamava: “Jesus, me deixe em paz! Por que me tortura?”. Houve de repente um barulho que lembrava uma briga e alguém correu para fora a um som de gemidos, como de quem tivesse sido ferido. As portas da igreja se abriram e em seguida fecharam. Depois, o silêncio.

Consciência – Eu não podia me virar para olhar porque estava levantando o cálice da consagração. Mas entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia e não tinha conseguido suportar a sua presença real, exibida perante todos. Ocorreram-me as palavras da escritura: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Arrependimento – Assim como Tiago usou aquelas palavras para repreender a fé fraca do seu rebanho, eu também tinha motivos para a contrição. Por que, afinal, um pobre homem atormentado pelo demônio era mais consciente da presença real de Cristo na Eucaristia e ficava mais impactado com ela do que eu? Ele ficou impactado em sentido negativo e correu para longe. Mas por que eu não me impactava de forma positiva com a mesma intensidade? E quanto aos outros crentes, que estavam nos bancos? Eu não tenho dúvidas de que todos nós acreditávamos intelectualmente na presença eucarística. Mas há algo muito diferente e muito mais maravilhoso em nos deixarmos mover por ela na profundidade da nossa alma! Como é fácil bocejarmos na presença do Divino e nos esquecermos da presença milagrosa e inefável, disponível ali para todos nós!

Quero deixar registrado que, naquele dia, há quase quinze anos, ficou muito claro para mim que eu tinha nas minhas mãos o Senhor da Glória, o Rei dos Céus e da Terra, o Justo Juiz e o Rei dos reis da terra.
Será que Jesus está realmente presente na Eucaristia?
Até os demônios acreditam!

Fonte: http://www.bibliacatolica.com.br/

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - O Dileto


QUEM O chamou assim não foi um simples mortal, mas o próprio eterno Deus, quando Jesus se humilhava sobre as margens do Jordão e se transfigurava nos cimos do Tabor. E eu ouço ainda agora essa voz divina, que me diz: Este é o meu Filho dileto em quem pus todas as minhas complacências. Como, pois, deve ser belo Jesus! Que beleza na sua inteligência! Que beleza na sua vontade! Que beleza mesmo no seu corpo!... E eu vou procurando belezas terrenas... E deixo-me distrair e enganar... Mas se tenho aqui no Tabernáculo Aquele que eu procuro, Aquele que pode saciar a minha fome de beleza, Aquele que me pode contentar... Porque ando divagando pelas criaturas? Às vezes julgo ser ainda alguma coisa sobre a terra, mas agora vejo realmente que sou uma louca.
Como devem ser belos os sorrisos de Deus quando contempla a Jesus! Como deve estar em festa todo o paraíso quando vê a beleza de Jesus! E ao passo que Deus e o paraíso contemplam extáticos a Hóstia, eu quase me aborreço e espero o momento de me ir embora... É verdade que os meus olhos não vêem nada desta beleza; mas a minha fé não verá também nada? Ah! Esta minha pobre fé como deve estar adormentada!
Jesus agrada tanto a seu Pai, e a mim agrada-me tão pouco! Como explicar este absurdo? É preciso confessar que o meu paladar está completamente pervertido e que também eu amo mais as cebolas do Egito que o maná do deserto; e afinal se alguma doçura verdadeira há neste mundo é no maná eucarístico e não em outra parte...
Ora, esta falsidade e perversão de gosto não virão porventura de eu ter um conhecimento muito imperfeito acerca da Eucaristia?
Portanto, irei à escola do Tabernáculo, ouvirei as lições do Mestre e conservarei no coração as suas palavras de vida eterna... Mas, a propósito de coração: não seria melhor pedir ao próprio Jesus que desça ao meu coração e estabeleça nele a sua cátedra de verdade? E uma vez que o tenha no meu coração, não seria bom fazer Ele uma troca: que depois de se demorar um pouco no meu, vá eu habitar o seu coração? Não é talvez lá que se aprendem tantas coisas divinas? Não é lá que os gostos se apuram e se tornam santos?... De resto, uma vez que Jesus esteja no meu coração e eu esteja no d'Ele, não gozarei também eu um pouco das complacências divinas? Daquela bela palavra, Este é o meu Filho diletonão me tocará também um pouco a mim?
Ser eu a dileta do Eterno! E porque não? Uma vez que eu seja uma só coisa com Jesus, que o seu Sangue corra pelas minhas veias, que o seu Corpo se confunda com o meu, que a sua Alma esteja unida à minha, que a sua divindade penetre todo o meu ser, uma vez que Jesus esteja contente de estar comigo, porque não hei de ser eu também a dileta de Deus?
Amanhã de manhã farei a Comunhão o melhor que puder; e quando Jesus descer ao meu coração, voarei com o pensamento até o Céu, prostrar-me-ei diante do trono de Deus, lançar-lhe-ei um olhar sorridente de amor, e perguntar-lhe-ei: Ó grande Deus, estás contente comigo? Agrado-te agora? E com a maior atenção esperarei a resposta que Ele me há de dar.

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/

terça-feira, 15 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - Ao Anoitecer


MUITAS vezes eu procuro alguma coisa que possa oferecer a Jesus e lhe dê consolação, mas apesar da minha boa vontade quase nada encontro; é por isso que, chegando à noitinha, me dirijo a Ele para obsequiá-lo com algum presentinho, mas vejo-me com as mãos cheias de... Pobreza.
Ofereço-lhe as orações feitas, mas se as examino um pouco, vejo que elas foram mais um amontoado de palavras distraídas que uma coroa de afetos ardentes. E se as comparo com aquelas que Ele faz sem cessar no Tabernáculo? Se as confronto mesmo com aquelas tantas inspirações que Ele me segreda ao coração durante o dia? Verdadeiramente é preciso ter coragem para se lhe oferecer de presente uma série de palavras sem correção... E, contudo, sei que Jesus não se descontenta mesmo com este pouco... É tão bom o meu Jesus!
Quando, porém, sofri alguma coisa por Ele, ao anoitecer vou encontrá-lo de melhor vontade, porque sei que o sofrimento lhe é mais caro do que toda a oração; e falo-lhe das penas do meu coração, das angústias da minha mente, das violências suportadas pelo amor próprio, dos incômodos que aqui e acolá sofreu o meu corpo, dos desprazeres que procurei com a extravagância do meu caráter e dos que me foram presenteados pelo capricho e temperamento dos outros, e digo-lho... Digo-lhe uma infinidade de coisas na ingênua persuasão de merecer-lhe um louvor e uma bênção. Mas Jesus bem depressa abate a minha presunção e a minha soberbazinha... Basta recordar-me a sua Paixão e Morte; e então, adeus complacência! Compreendo, então, que os meus sofrimentos, em confronto com os seus, não passam dum brinquedo de criança! Mas, se não tenho coisa melhor, não lhe hei de oferecer nada?
Como Jesus é bom! Ele toma os meus sofrimentos minúsculos, avizinha-os dos seus, e ei-los tornados grandes. Toma as minhas penas de espírito c lança-as no abismo das suas; toma os meus sofrimentos físicos e põe-nos em contato com os seus espinhos, com os seus cravos, com as suas feridas, com a sua cruz; orvalha-os com um pouco do seu sangue; e estes aproximamentos e contatos operam o prodígio de transformá-los em sofrimentos seus, e deles alcançam o mesmo mérito... Oh, como nos tornamos bem depressa ricos unindo-nos a Jesus!
O mal está em que, certas vezes, não me recordo de fazer a Jesus os meus presentinhos. Àquele pouco que fiz ou sofri, inutilizei-o todo com as complacências do amor próprio, quer nutrindo despeitos por certas críticas imerecidas, quer saboreando a doçura de certos elogios... E então, depois de ter inutilizado tudo, se venho a recordar-me de Jesus, parece-me vê-lo sério, muito sério em atitude de perguntar-me: então são estes os presentinhos que me fazes?
Sou sempre uma pobre criatura! Digo sempre que hei de corrigir-me e não me corrijo nunca! Durante dois ou três dias vou menos mal, mas depois volto ao princípio... Porém, consola-me um pensamento: e é que a boa vontade não me falta; serei um pouco fraca de cabeça, mas o coração,esse, graças a Deus não o tenho mau: e quando se tem boa vontade, apresentando-se a gente a Jesus, como faziam os leprosos, fazendo-se-lhe a exposição de toda a sorte de misérias e pedindo-se-lhe a cura, Ele, agora como então, deixa-se comover e faz a graça.
Se não fora este pensamento, quem ousaria ainda apresentar-se a Ele?

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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - Contradições

 

DIGO muitas vezes que quero amar a Jesus, e realmente quero amá-lo; sei que o amor conduz necessariamente à imitação, e que não pode amar-se a Jesus sem imitá-lo; mas, se se trata de eu sofrer um pouco por seu amor tornando-me deste modo semelhante a Ele, logo a coragem me falta e o desânimo se apodera de mim.
Digo que o amo, mas se o sofrimento me assalta vou logo ter com Ele e peço-lhe que me alivie. Afigura-se-me ver a Jesus mostrando-me o coração todo inflamado em chamas de caridade, e peço-lhe... Peço-lhe que tenha compaixão de mim.
Eis a contradição! Tenho uma ferida no coração, e em vez de sofrê-la resignadamente por seu amor, peço-lhe que ma cure... Não reparando que Ele tem uma mais profunda que a minha.
Tenho espinhos agudos que me envolvem a alma e me fazem sofrer um martírio; mas em vez de sofrer-lhes a punção por seu amor, peço-lhe que mos arranque para sempre... não pensando que os espinhos que cercam o seu coração são bem mais agudos e cruéis que os meus.
Tenho também eu que levar uma cruz, uma cruz que me parece tão pesada!... Mas em vez de levá-la com coragem pelo caminho do meu calvário, peço-lhe com insistência quotidiana que me alivie, que me livre desse peso... E peço isto a Ele que tem uma cruz plantada no meio do coração, cruz que não tem semelhança em toda a série das dores humanas.
Jesus é tão bom que, para tornar-me semelhante a Ele e proporcionar-me o seu amor, faz-me participante dos sofrimentos do seu coração... E eu, eu que pretendo amá-lo, ouso desejar e pedir-lhe que Ele mesmo destrua em mim o traço de maior semelhança que tenho com Ele... E pensar eu que toda a minha devoção ao Sagrado Coração consiste quase inteiramente neste desejar as suas delícias e ser isento das minhas penas!
Agora compreendo a razão por que Jesus me não ouve; é porque me quer maior bem que o que merecem as minhas orações; é porque, se eu não sofro um pouco, em quase mais nada me torno semelhante a Ele.
Portanto, terei bem fixa diante dos olhos a imagem do Sagrado Coração de Jesus... aquelas feridas... aqueles espinhos... aquela cruz... e, de futuro, serei mais cautelosa em pedir-lhe que me alivie das minhas dores.
Antes deveria pedir-lhe que me desse um pouco, não mais que um pouco, das suas penas... Mas devo confessá-lo para minha confusão, sinto que me falta a coragem. Contudo quantas almas fervorosas há que todos os dias pedem a Jesus as torne participantes da sua Paixão? Quanto mais penso nisto, mais me sinto humilhada. É possível que eu, com esta estima que tenho de mim, não tenha a coragem de pedir um, ao menos um, dos espinhos da sua coroa?
Que lugar me compete, pois, entre o número das almas devotas do Sagrado Coração? Poderei dizer que ocupo ao menos o último lugar?


Ó Jesus, tu bem o sabes: eu não ouso perguntar-te se sou uma alma afeiçoada ao teu Coração... tenho medo duma resposta desanimadora. Mas, vejas em mim o que vires, seja qual for o grau de imperfeição a que tenha descido, peço-te que tenhas de mim piedade. Eu encontro-me sem coragem, sem energia, porque me falta o verdadeiro amor... O sofrimento repugna-me, causa-me horror; não ouso já prometer-te coisa alguma,

quase não ouso sequer dirigir-te uma súplica... Porém estou aqui diante de Ti: Tu amas-me, queres santificar-me, queres salvar-me... Portanto não olhes à minha pusilanimidade e à fraqueza do meu coração: prossegue a obra do teu amor sobre mim, faze de mim o que quiseres, contanto que me faças santa... Contanto que eu vá para o Paraíso.

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terça-feira, 8 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - O Crucifixo


PONHO nele muitas vezes os meus olhos; beijo-o, de manhã, apenas desperto; beijo-o à noite antes de adormecer, e durante o dia... quantas vezes... mas Jesus não está todo aqui. Aqui está a figura, um pouco mais longe a realidade; aqui Jesus sem palavra, além com as suas palavras de vida eterna; aqui vejo-O morto, acolá encontro-O vivo; aqui o Calvário, além o Cenáculo.

Olho para o meu crucifixo, mas parece-me que Jesus do Tabernáculo o olha mais do que eu; parece-me que me está convidando para eu fixar toda a minha atenção, para eu aprender a recordar sempre que o Jesus da Hóstia é o mesmo que um dia foi o Jesus da Cruz.
Mas, és realmente tu, ó meu sacramentado Senhor, que um dia morreste sobre esta cruz, e duma maneira tão bárbara? Estes cravos atravessaram realmente as tuas mãos? Estes espinhos estiveram realmente em volta da tua fronte? E o teu Coração, aquele coração tão doce, tão belo... Foi realmente alanceado desta maneira? E foi sobre estas carnes que realmente se desencadeou uma furiosa saraivada de flagelos? E, por único conforto, deram-te o fel, a mirra e uma tempestade de blasfêmias? És, pois, tu, mesmo tu, este Jesus que eu vejo aqui cinzelado... O Jesus morto sobre o Calvário? E quem foi esse bárbaro assassino?... Meu Deus! Que pergunta! Eu próprio fui o carnífice, e Jesus, o próprio Jesus foi a vítima... o delito foi perpetrado lá... a vítima está aqui, no Tabernáculo... E qual é a vingança?... A vingança? Ei-la aqui: a Santa Comunhão!
Depois de tantos maus tratos, Tu me vens ainda a visitar, a estar comigo, a dares-te a mim? Mas onde aprendeste um tal modo de punir os teus crucifixores? Eu coroei-te de espinhos, e tu dás-me o direito de cingir o diadema e de reinar contigo? Eu esbofeteei-te, e tu fazes-me certas carícias à minha alma, que me sabem a paraíso? Eu vesti-te de louco, e tu vestes-me com a tua graça? Eu flagelei horrivelmente as tuas carnes, e tu, depois de as tomares imortais e gloriosas, dás-mas em mantimento? Eu derramei todo o teu sangue, e tu ofereces-mo em bebida? Eu alanceei o teu Coração, a parte mais nobre da tua humanidade, e tu ofereces-mo como o teu dom mais precioso?... Mas se eu te tivesse amado como um serafim, poderias tu ser mais liberal para comigo?... Ó Santa Eucaristia, tu és realmente um mistério! E o que mais me confunde a razão, é que Jesus tenha amado tanto uma criatura tão má como eu sou.
Este Crucifixo, esta imagem fria e muda do meu Jesus, deve, sem dúvida, fazer ouvir uma linguagem misteriosa e potente... Os santos olhavam-no, choravam, eram arrebatados em êxtases... Ficavam horas inteiras, dias inteiros a contemplá-lo, liam nele coisas sempre novas... E não é senão uma figura. Eu estou diante da Hóstia e, momentos após, sinto-me cansada! Rezo um pouco, e já não posso dizer mais nada! Recebo-a, e uma hora depois já estou esquecida de tê-la recebido... E não é uma figura, mas a realidade, a grande realidade de Jesus! Que distância entre mim e os santos!
Mas, ou santa ou pecadora, hei de querer sempre bem ao meu Crucifixo, e a Hóstia hei de considerá-la sempre como coisa minha. Estudarei o Crucifixo para conhecer sempre melhor a Hóstia, e estudarei a Hóstia para conhecer sempre melhor o Crucifixo. O Crucifixo me recordará sobretudo que eu tenho sido a pior das almas, e a Hóstia me recordará que Jesus me tem amado como se eu tivesse sido sempre uma santa. O Crucifixo me fará arrepender dos pecados, a Hóstia me fará amar a Jesus.
Amar a Jesus, que bela coisa! Mas eu amarei a Jesus também crucificado; somente que, crucificado, o amarei com as lágrimas nos olhos, e na Hóstia o amarei com o sorriso nos lábios; crucificado o amarei gemendo, na Hóstia o amarei cantando... E continuarei a amá-lo sempre, enquanto tiver um fio de vida. E depois?...
Depois... O Crucifixo sobre o peito, a Hóstia no coração... Que me restará senão morrer e voar para o Céu?

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/

sábado, 5 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas: Horas lânguidas



TENHO-as, e não são poucas. São horas em que não sinto vontade para nada. A terra com todas as suas flores e o céu com todas as suas estrelas não têm já nenhuma poesia para mim. O próprio Tabernáculo, esse mesmo, perde o seu encanto e passo-lhe de perto com indiferença.
Parece um exagero, mas é a verdade. Parece que Jesus se me tornou indiferente, e sou capaz de estar ao pé d'Ele uma hora sem lhe dirigir uma palavra... Na igreja, uma criança que chore, um vizinho que reze um pouco alto, uma pessoa que entre ou saia despertam mais a minha atenção do que Jesus... Em casa começo a fazer mil coisas, e não levo a cabo uma só; abro um livro espiritual e não encontro nele nada de belo; começo a rezar o terço e interrompo-o no segundo mistério... Às vezes faço como as crianças: ponho-me a revistar todas as imagens que tenho... Tantas recordações da minha infância, tantas lembranças de pessoas amigas, de mortos queridos, ocupação esta que noutros tempos me comovia o coração, pelas memórias que despertava, e me servia de útil meditação... Agora parece-me uma criancice, e depois dum minuto ou dois, ponho de parte a minha coleção como um brinquedo inútil.
Enojada desta minha languidez, entro em mim mesma, recolho-me dentro do próprio coração, a ver se encontro por acaso algum afeto recôndito que possa ainda despertar, e me traga um pouco de vida. Vejo se ainda tenho alguma esperança, pois de esperanças vive o coração até morrer... E encontro mais que uma; mas de que serve? São esperanças doentias, já não têm vigor... Jesus do Tabernáculo vê, por exemplo, que tenho ainda a esperança de tornar-me santa, a esperança de fazer uma boa morte, a esperança de alcançar o paraíso; mas vê também que de nada me serve o tê-las, e que se ainda as tenho é porque Ele as lançou no meu coração... É verdade que, se alguém tentasse arrebatar-me-las, revoltar-me-ia como contra um homicida; mas, no entanto, nem ao menos tenho o recurso duma tentação que provoque em mim uma reação e me desperte da minha languidez.
Que horas dolorosas estas! Quantas vezes dirijo então o meu pensamento ao Tabernáculo, a Jesus Sacramentado, e quase me queixo a Ele de me deixar estar assim! Mas que pode fazer Jesus? Talvez para meu bem Ele permita que eu passe destas horas... Mas, no entanto, eu não vejo que bem possa haver em tudo isto; e é este o meu maior tormento!
E amanhã, como irão as coisas? Logo de manhã tenho de fazer a comunhão, ouvir a Missa, rezar as minhas orações, e depois a minha meditação... As minhas ocupações... Seria para mim um dia de penitência, se tivesse que passar horas como estas...
Penitência!... Esta palavra é uma verdadeira revelação! Foi talvez Jesus que ma inspirou. Penitência! Quanta não devo eu fazer! E fazer penitência não é porventura um modo excelente de amar a Jesus, de servir a Jesus, de imitar a Jesus? E não se fará talvez penitência passando horas lânguidas, aborrecidas, pesadas, cheias... De nada?
Oh! Vede como Jesus é bom! Enquanto eu me queixava d'Ele, pensava Ele em mim, e com uma simples palavra solucionava todas as minhas dificuldades. Penitência!... A falar a verdade, há muito tempo que não pensava em semelhante coisa... E agora? Avante, que assim o quer Jesus!
Portanto sossego o meu coração e me resigno desde este momento a suportar a minha languidez com paciência. Resigno-me a não ser boa para nada, a não gostar nada de coisas espirituais, a estar ao pé de Jesus, unida a Jesus, sem sentir a Jesus... Contanto que eu saiba que não desagrado a Jesus. E se aquelas horas pesadas como chumbo caírem de novo sobre a minha alma e o meu coração, eu volverei o olhar para o Tabernáculo sem falar... E Jesus me compreenderá.
E Jesus poderá suportar por muito tempo a vista de uma alma que lhe quer bem, mas que não sabe dizer-lho, que desejaria praticar muitas obras santas e não pode mover-se, que precisa de tantas graças e não pode orar, que é viva e parece morta? Com aquele coração que tem... Será possível que queira abandonar-me?
Poderei iludir-me, mas parece-me ver a Jesus que me sorri, mas com um sorriso que me diz: não temas, ó filha, que eu não te abandonarei jamais.

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Exemplo para aqueles que não apreciam a Santa Missa


São Tomás e São Boaventura, os dois doutores da Igreja, ensinam, como dissemos anteriormente, que o Santo Sacrifício da Missa é de valor infinito, tanto pela Vítima que é ai oferecida, que é o Corpo e Sangue, a alma e Divindade de Nossa Senhor JESUS CRISTO que principalmente o oferece. No entanto, muitos há que o têm em tão pouca estima que colocam este tesouro sacratíssimo, abaixo do mínimo interesse. Outra finalidade não tem este livrinho, da primeira á última página, senão dar uma idéia justa desta preciosidade tão grande que não tem preço.

E se, até aqui, este santo Sacrifício era para eles um tesouro oculto, agora que lhe conhecem o valor infinito, tomem a resolução de aproveitá-lo, assistindo à Santa Missa, todos os dias! Para a isso mais incitá-lo, vou contar uma história apavorante, que será a conclusão desta obra. Enéias Silvio Piccolomini, mais tarde Pio II, refere que em certa região da Alemanha havia um fidalgo de grande linhagem que, tendo caído na pobreza, vivia retirado em uma de suas terras. Aí acabrunhado pela melancolia, estava prestes deixar-se dominar pelo desespero, e satanás o impelia, cada dia, a pôr uma corda ao pescoço a fim de dar cabo da vida. Nesse combate contra a tristeza e a tentação, recorreu a um santo confessor, que lhe deu o excelente conselho de não passar, nem um dia, sem assistir à Santa Missa.


O fidalgo aceitou o conselho e logo o colocou em prática; e fez mais, para ficar seguro de nunca faltar à Santa Missa, tomou um capelão que devia estar pronto a oferecer, cada manhã, o Santo Sacrifício, a que ele assistia com grande fervor e devoção. Um dia, porém, o capelão dirigiu-se bem cedo a uma aldeia pouco afastada para assistir um padre recém-ordenado, que lá celebrava sua primeira Missa. O fidalgo, receoso de ficar privado da Santa Missa naquele dia, dirigiu-se apressadamente para a tal aldeia. No caminho, porém, encontrou um camponês e este lhe disse que podia voltar dali, pois a Santa Missa do novo sacerdote já havia terminado, e que na aldeia não se celebraria outra. A esta notícia, o fidalgo perturbou-se e exclamou entre lágrimas: “Que vai ser de mim hoje?” O camponês, que nada podia entender de tão pungente aflição, replicou num tom de gracejo e ímpio ao mesmo tempo: “Não choreis, senhor, eu vos venderei a Missa que acabo de assistir. Dai-me o manto que trazeis e eu vo-la cedo.”


O gentil-homem aceitou a estranha proposta do camponês, e, entregando-lhe o manto, encaminho-se para a Igreja. Fez uma curta oração no lugar santo, e voltou em seguida para casa. Mas, ao chegar ao sítio em que se detivera pouco antes, qual não foi seu espanto ao ver enforcado num carvalho, morto como Judas, o desgraçado camponês que lhe vendera sua Missa. A tentação de suicídio passara do fidalgo ao camponês, que, privado do socorra que a Santa Missa lhe alcançara, não soubera resistir ao diabo. O fato acabou de convencer o bom fidalgo de quão eficaz era o remédio sugerido pelo confessor, e mais se firmou em sua resolução de assistir, todos os dias, à Santa Missa. Duas coisas de grande importância eu quisera que notásseis neste terrível caso. Primeiro a grosseira ignorância de grande número de cristãos que, não sabendo apreciar as riquezas imensas na Santa Missa, vão a ponto de taxá-la por um preço material.Daí vem a linguagem inconveniente de algumas pessoas que falam em pagar ao sacerdote a sua Missa. Pagar a Missa! E onde encontrareis fortuna capaz de igualar o valor de uma única Santa Missa, já que ela vale mais que todo o Paraíso! Ó ignorância revoltante.


Esse pouco de dinheiro que dais ao sacerdote, vós lho dais para seu sustento, mas não como pagamento, pois a Santa Missa é um tesouro sem preço.


Porque vos exortei, neste livrinho, a assistir, todos os dias, à Santa Missa e encomendar quantas puderdes, é possível que satanás vos coloque no espírito esta idéia: “Os padres nos exortam a encomendar muitas Missas, por motivos muito bonitos e especiais. Mas nem tudo que brilha é ouro. Sob esta aparência de zelo eles escondem seu proveito e no fim de contas vê-se que o interesse é que lhes inspira a conduta e as palavras.” Que erro o vosso, se pensais assim!


Dou graças a DEUS de me ter inspirado abraçar uma ordem na qual se professa a mais estrita pobreza, e não se recebem espórtulas pelas Missas. Se nos oferecessem cem escudos por uma só Missa, jamais os aceitaríamos, pois dizemos todas as nossas Missas na intenção que tinha CRISTO na Cruz, quando ofereceu ao Eterno PAI o primeiro Sacrifício do Calvário. Se, portanto, alguém há que possa elevar a voz sem receio de censura, sou eu que só busco o vosso interesse.


Ora, tudo que vos aconselhei neste opúsculo vo-lo repito novamente, rogo-vos assisti a muitas Santas Missas e encomendai o mais que puderdes.


Tereis amontoado um grande tesouro que vos aproveitará neste Mundo e no outro.


A segunda verdade que deveis depreender da história precedente é a eficácia da Santa Missa, para alcançar todo bem e preservar-se de todo mal, e em particular para adquirir forças espirituais, a fim de vencer todas as tentações. Deixai-me, portanto, dizer-vos ainda: À Santa Missa! À Santa Missa! Se quereis a vitória sobre vossos inimigos e ver todo o inferno vencido e dominado. Resta-me ainda dar-vos um aviso, que se dirige também tanto aos sacerdotes, aos religiosos, como aos leigos: é que, para receber com grande abundância os frutos da Santa Missa, importa ir a ele com a máxima devoção.


Vós, leigos, portanto, assisti com toda a devoção, à da Santa Missa, e para isto, se quiserdes, utilizai-vos deste livrinho e ponha em prática, cuidadosamente, tudo o que nele vai indicado.


Em pouco tempo, posso assegurar-vos pela experiência, verificareis uma mudança sensível em vosso coração, e tocareis com o dedo o grande bem que daí há de auferir a vossa alma.


E vós, sacerdotes, deveis temer a justiça de DEUS, quando, por uma pressa exagerada ou por negligência irreverente, executardes mal as santas cerimônias, precipitardes as palavras, confundirdes os movimentos, numa palavra, despachardes a Missa. Refleti que consagrais, que tocais e recebeis o FILHO DO ALTÍSSIMO, e que não podeis, sem falta, omitir a menor cerimônia ou fazê-la de modo negligente ou defeituoso, como a ensina o sábio Suarez: Vei unius caeremoniae omissio culpae reatum inducit!


Por isso, João d´Avila, o oráculo da Espanha, não punha em dúvida que o Soberano Juiz pedirá aos sacerdotes uma conta mais rigorosa de todas as Missas que tiverem celebrado, do que qualquer outra obrigação.erdote passara à outra vida, ao terminar sua primeira Missa, aquele santo homem soltou um suspiro e disse: “Ele celebrou, então, a Santa Missa?” E como lhe respondessem que o neo-sacerdote tivera a felicidade de morrer logo depois de celebrá-la, replicou: “Ah! Grande conta tem ele de dar a DEUS, se celebrou uma Missa!”


E vós e eu, que tantas temos celebrado. Como nos arranjaremos no tribunal de DEUS? Tomemos por tanto a salutar resolução de rever, ao menos no próximo retiro que fizermos, todas as rubricas do Missal e todas as cerimônias sacras, a fim de celebrar com a máxima perfeição possível.

E estou certo de que se nós, sacerdotes, celebramos com um exterior grave e recolhido, e, sobretudo com grande fervor, os leigos, de sua parte, hão de decidir-se a assistir diariamente à Santa Missa. E teremos a consolação de ver renascer entre os cristãos de nossos dias o fervor dos primeiros fiéis da Igreja.


E vós, que é que estais fazendo? Por que é que não ides correndo para as igrejas para lá assistirdes fervorosamente a todas as Santas Missas que puderdes? Por que é que não quereis imitar os Anjos que, quando se celebra a Santa Missa, descem do Paraíso em grande número e vêm ficar ao redor do altar em adoração, intercedendo por nós? E DEUS será soberanamente honrado e glorificado: é esta a única finalidade desta pequena obra. Orai por mim, rezando uma Ave Maria.


As Excelências da Santa Missa – São Leonardo de Porto Maurício -Pags 78-82

sábado, 21 de junho de 2014

O culto Eucarístico


Pedro Julião Eymard

O fim da Sociedade é ainda render a Jesus no Santíssimo Sacramento o culto de honra maior, mais santo e mais litúrgico possível.

Culto maior, pelo serviço solene de Exposição onde Jesus é honrado como o Rei imortal dos séculos, a quem toda honra e glória são devidas.

Ante esse sol de amor tudo se eclipsa. Ante o Rei, o ministro não recebe distinções. Ante o Mestre insigne, o servo desaparece.

Tudo quanto há de precioso, de belo, de nobre, deve honrar o Trono divino de Jesus, Senhor único de tudo. E, viesse a Sociedade a possuir todos os diamantes, todo o ouro, todas as coroas do mundo, só deveria ver nisto tudo o privilégio de poder tudo consagrar à glória do Mestre, já que tudo Lhe pertence.


Culto mais santo

O corpo também deve adorar o Deus da Eucaristia e Lhe render suas homenagens exteriores.

Homenagens de respeito, tendo-se modesta e convenientemente em Sua divina Presença, evitando tudo aquilo que não se permitiria em presença dum personagem ilustre, dum soberano.

Homenagens de piedade, cumprindo com grande espírito de fé e de amor as cerimônias externas, genuflexões, prostrações, reverências prescritas, porque constituem os atos exteriores de adoração do coração e a profissão pública de Fé.

Homenagens públicas de virtudes. Honrando por toda a parte o Mestre, quer em público, quer em particular, quer nas ruas, quer nos templos; adorando-O, prostrado, quando Ele passa levado em Viático, ou quando reina no Trono. E por toda a parte o Rei e Deus do nosso coração, da nossa vida.

Culto mais litúrgico

A Igreja, sempre inspirada pelo Espírito Santo, regrou o culto devido ao Seu divino Esposo, Jesus Cristo, no Santíssimo Sacramento, e que por si, constitui o culto de verdade e de santidade agradável a Deus.

A Igreja, ciosa da honra e da glória do seu Rei, regulou os mínimos pormenores do Seu culto, porque tudo é grande, tudo é divino em se tratando do Seu serviço.

O dever maior, quer da Sociedade, quer da totalidade dos seus membros, é, portanto, estudar as rubricas, os cerimoniais da Igreja e, seguindo-os com exata fidelidade, fazer com que os fiéis, por sua vez, os observem e amem. Honrando desta forma a divina Eucaristia, honro-O a em união com a Santa Igreja, em união com os Seus santos. Rendo-Lhe, então, com a Igreja, uma só e mesma homenagem, presto-Lhe um só e mesmo culto enquanto os Seus méritos suprem minha indignidade, e a Ssua perfeição, minha fraqueza. Meu culto então torna-se verdadeiramente católico.

Servirá ainda para expiar as irreverências e culpas sem número que cometi nos santos lugares. Servirá para reparar as profanações, os sacrilégios incessantemente cometidos contra este Sacramento por tantos ímpios e maus cristãos.

Será um protesto contra a incredulidade, uma profissão pública de nossa Fé e vocação pela maior glória de Jesus. Hóstia de amor e de louvor.

(A Divina Eucaristia, volume III)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O modo de receber a Sagrada Comunhão

O modo de receber a Sagrada Comunhão: Resumo

A Instrução Universae Ecclesiae deixa claro que a Santa Comunhão deve ser recebida de joelhos e na língua em celebrações da Forma Extraordinária. A recepção na língua é, de fato, a lei universal da Igreja, que certas Conferências Episcopais revogaram parcialmente. O valor de se ajoelhar para se mostrar humildade na presença do sagrado é afirmado em inumeráveis textos da Escritura e enfatizada pelo Papa Bento XVI em seu livro «O Espírito da Liturgia”. O momento de receber a Sagrada Comunhão é o mais apropriado de todos para demonstrar esta atitude. A recepção na língua, embora não universal na Igreja Primitiva, tornou-se assim rapidamente, refletindo a grande preocupação demonstrada pelos Padres para que as partículas da hóstia não se perdessem, uma preocupação reiterada no Memoriale Domini do Papa Paulo VI. Concluindo, a forma tradicional de receber a Sagrada Comunhão, que evidencia tanto humildade e como receptividade infantil, prepara o comungante para recebê-la de maneira frutuosa. Além disso, se conforma perfeitamente com a atitude geral de reverência pelas Sagradas Espécies que pode ser encontrada ao longo da Forma Extraordinária.

A Maneira de se Receber a Sagrada Comunhão


1. Tal como acontece com a questão do serviço no altar por homens e meninos [1] , a questão da forma de receber a Comunhão nas celebrações na Forma Extraordinária do Rito Romano é resolvida pela Instrução Universae Ecclesiae (2011), que defende a capacidade de vinculação, em celebrações na Forma Extraordinária, da lei litúrgica em vigor em 1962 [2] . Esta especifica que a Santa Comunhão deve ser recebida pelo fiel ajoelhado e na língua.

2. Enquanto que o serviço no altar pelas mulheres tem sido permitido na Forma Ordinária a critério do Ordinário local, a proibição de recepção da Sagrada Comunhão pelo fiel na mão foi expressamente reiterada pelo Papa Paulo VI [3], que apenas observou que os pedidos de derrogação da lei teria de ser feita por uma Conferência Episcopal à Santa Sé. Explicar o valor desta prática, o que este trabalho procura fazer, é o mesmo que explicar o valor da própria legislação da Igreja.

Ajoelhar-se

3. Como o Papa Bento XVI observou. “A origem da genuflexão não se encontra numa cultura qualquer – ela é proveniente da Bíblia e do seu conhecimento de Deus.”[4] Como ele passa a elaborar, o ajoelhar-se é encontrado em numerosas passagens da Escritura como uma atitude adequada tanto de oração de súplica como de adoração na presença de Deus. No ajoelhar-se, seguimos o exemplo de Nosso Senhor [5], cumprimos o Hino Cristológico da Carta aos Filipenses [6], e conformarmo-nos à liturgia celeste vislumbrada no Livro do Apocalipse [7] . O Santo Padre conclui:

É possível que a posição de joelhos se tenha tornado estranha à cultura moderna – na medida que esta última se tenha afastado da Fé, não reconhecendo mais Aquele perante o qual o gesto correto é intrínseco é – estar de joelhos. Quem aprende a ter fé, também aprende a ajoelhar-se; uma Fé ou uma Liturgia que desconhecesse a genuflexão seria afetada num ponto central. Onda ela se perdeu, tem que ser reaprendida, para que a nossa oração permaneça na Comunidade dos Apóstolos, dos Mártires, de todo o Cosmos e em união com o próprio Jesus Cristo [8].

4. Resta observar que no momento em que se recebe o Corpo de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento é um momento apropriado para se ajoelhar, e ao se fazê-lo repetimos uma muito longa tradição no Ocidente [9]. O Papa João Paulo II nos lembra que a atitude correta para receber a Sagrada Comunhão é “a humildade do centurião do Evangelho” [10]: esta atitude é tanto manifestada como nutrida pela reconhecida postura de humildade, ao se por de joelhos. A exigência, na disciplina atual da Igreja, que se faça um “gesto de reverência” antes da Santa Comunhão ser recebida [11], é cumprida de uma maneira mais natural e não forçada estando de joelhos.

Sobre a língua

5. A recepção da Sagrada Comunhão sobre a língua, em oposição à mão, embora não seja a prática exclusiva da Igreja Primitiva, realmente remonta aos primeiros tempos. É atestada por Santo Efrém o Sírio[112], pela antiga liturgia de S. Tiago [13], pelo Papa São Leão o Grande [14] e pelo Papa São Gregório Magno [15]. Nosso Senhor parece ter colocado o pão diretamente na boca de Judas na Última Ceia [16], e pode ter usado o mesmo método para as Espécies Consagradas. A disseminação deste método por toda a Igreja (com distintas variantes no Oriente e no Ocidente) derivou-se naturalmente da grande preocupação dos Padres que nenhuma partícula da Hóstia consagrada fosse perdida. São Cirilo de Jerusalém (invariavelmente citado por sua descrição da Comunhão na mão) [17] adverte que os fragmentos da Hóstia devem ser considerados mais preciosos do que ouro em pó; [18]uma preocupação semelhante é mostrada por Tertuliano [19], São Jerônimo,[20] Orígenes [21], Santo Efrém [22] e outros [23]. Esta preocupação está enraizada na Escritura, no comando de Nosso Senhor aos discípulos após a alimentação da Multidão, um tipo da Eucaristia: “Recolhei os pedaços que sobejaram, para que não seja perdido.”[24]
6. Esta preocupação é reiterada e relacionada ao valor da recepção sobre a língua pela Instrução Memoriale Domini (1969), que resume uma série de considerações ao favorecer a forma tradicional de distribuir a Sagrada Comunhão:

Esta maneira de distribuir a Santa Comunhão, levando em consideração, no seu conjunto, a situação atual da Igreja, deve ser conservada, não somente porque se funda numa tradição de muitos séculos, mas sobretudo porque exprime e significa a reverência dos fiéis para com a Eucaristia. E este costume não diminui em nada a dignidade da pessoa daqueles que se aproximam de tão grande Sacramento; antes, [este costume] faz parte daquela preparação que é requerida, para que o Corpo do Senhor seja recebido da maneira maximamente frutuosa.”[25]
Esta reverência significa que não se trata de «uma comida e de uma bebida comum» [26], mas da comunhão do Corpo e do Sangue do Senhor, …Além disso, com esta forma entretanto tradicional é mais eficazmente assegurado que a Sagrada Comunhão seja distribuída com a reverência, o decoro e a dignidade devidos; que seja evitado todo perigo de profanação das espécies eucarísticas, nas quais, «de modo singular, está presente substancialmente e ininterruptamente, o Cristo todo inteiro, Deus e homem»[27], e, por fim, que seja observada com diligência a recomendação sempre dada pela Igreja, quanto ao cuidado com os próprios fragmentos do pão consagrado: «Se algum fragmento vieres a perder, seja para ti como se estivesses perdendo um de teus membros».[28]

7. A possibilidade de, ao se receber na mão a Sagrada Comunhão, levar a uma “lamentável falta de respeito para com as espécies eucarísticas” foi confirmada pelo Papa João Paulo II.[29] O perigo de profanação deliberada do Santíssimo Sacramento, igualmente observado no Memoriale Domini, infelizmente também tornou-se evidente, numa época em que os atos sacrílegos podem ser tornados públicos pela internet para o escândalo dos católicos em todo o mundo. Esta questão é levantada novamente pela Instrução Redemptionis Sacramentum (2004), que mais uma vez se refere à distribuição do Santíssimo Sacramento exclusivamente sobre a língua como o remédio eficaz:
Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.[30]

8. O Papa João Paulo II levantou uma questão relacionada, quando escreveu “O tocar nas sagradas Espécies e a distribuição destas com as próprias mãos é um privilégio dos ordenados, que indica uma participação ativa no ministério da Eucaristia.” Ele liga esta à consagração das mãos do sacerdote.[31] Isto recorda uma famosa passagem de São Tomás de Aquino, citada a este respeito em uma declaração oficial do Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice [33]:

Por reverência a este sacramento [a Santa Eucaristia], nada o toca a não ser o que é consagrado; por isso o corporal e o cálice são consagrados, e, da mesma forma, as mãos dos sacerdotes para tocar este Sacramento. E assim, não é licito que qualquer outra pessoa Lhe toque, exceto em caso de necessidade, por exemplo, se caísse ao chão ou em qualquer outro caso de urgência.[34]

9. Na medida em que vemos esse método tradicional tendo se desenvolvido ao longo do tempo, não se trata de um argumento contra ele, mas um testemunho para as considerações importantes que consistentemente levaram à sua adoção. Como o Papa Pio XII afirmou brilhantemente na Mediator Dei (1948), práticas mais antigas não são ipso facto preferíveis às práticas que evoluíram sob a orientação do Espírito Santo ao longo dos séculos [35].

Conclusão

10. A importância de uma atitude interior de humildade, enfatizada tanto pelo Papa João Paulo II como pela exigência disciplinar da Igreja de um “gesto de reverência”[36], não é apenas uma questão de decoro diante da Presença Real de Nosso Senhor, por mais importante que seja. Pelo contrário, a graça recebida por um comungante está sob a dependência de sua disposição e do cultivo da correta disposição, aquela humildade e receptividade infantil, que é facilitada ao se receber a comunhão sobre a língua estando de joelhos. Como o Papa Paulo VI enfatizou: “[este costume] faz parte daquela preparação que é requerida, para que o Corpo do Senhor seja recebido da maneira maximamente frutuosa.”[37]

11. Este valor do método tradicional foi reiterado por decisão do próprio Papa Bento XVI ao distribuir a Sagrada Comunhão ao comungante de joelhos e sobre a língua. O comentário oficial sobre esta decisão cita tanto a preocupação sobre a perda de partículas da Hóstia Consagrada, e uma preocupação em estimular a devoção entre os fiéis à Presença Real de Cristo no Sacramento da Eucaristia.[38]
Além disso, o método tradicional é chamado de um “sinal externo” para “promover o entendimento deste grande mistério sacramental”. [39]

12. No contexto específico da Forma Extraordinária do Rito Romano, a prática exclusiva de receber a Sagrada Comunhão de joelhos e na língua anda de mãos dadas com a grande reverência mostrada pelo Sacerdote celebrante na Forma Extraordinária ao Santíssimo Sacramento. Dois exemplos seriam a genuflexão dupla do sacerdote na Consagração, ao segurar com o polegar e o indicador, a partir da Consagração até a Purificação do Cálice. O recebimento da Comunhão na mão criaria uma dissonância prejudicial com outros elementos da liturgia. O assunto está bem expresso na Instrução do Papa, incomprensibile (1996), dirigido às Igrejas Orientais, sobre a importância de manter o modo tradicional de receber a Sagrada Comunhão para aquelas Igrejas:

Mesmo que isto exclua a valorização de outros critérios, embora legítimos, e implique a renúncia a algum comodismo, uma modificação do uso tradicional arrisca-se a comportar uma intrusão não orgânica a respeito do quadro espiritual que se tem mencionado.[40]

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1- FIUV Positio 1: O serviço do Altar por homens e meninos
2- Instrução Universae Ecclesiae (2011) 28
3- Instrução Memoriale Domini (1969): “… o Sumo Pontífice não considerou oportuno mudar a maneira tradicional de distribuir a Sagrada Comunhão aos fiéis.”
4- Papa Bento XVI (Cardeal Joseph Ratzinger) ‘Introdução ao Espírito da Liturgia’ (Edições Paulinas, 2001)
5- Lucas 22.41 (durante a Agonia no Jardim do Getsêmani).
6- Filipenses 2, 10: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho”
7- Apocalipse 5,8.
8- Papa Bento XVI op. cit.
9- No Ocidente o desenvolvimento do ajoelhar-se na Comunhão remonta pelo menos até o século VI. Vide Athanasius Schneider ‘Dominus Est – É o Senhor’.
10- Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistica (2003) 48: ‘cum demissione centurionis in Evangelio’
11- Instrução Geral do Missa Romano (2002) 160.
12- St Efrém o Sírio: Sermones em Hebdomeda Sancta 4, 5: Isaías viu-Me a Mim, assim como vós Me vedes a Mim agora, estendendo a Minha mão direita e levando às vossas bocas o pão vivo.”. Referência à visão de Isaias do carvão vivo com o qual o anjo tocou seus lábios (Isaías 6, 6-7).
13- Bozestwennaya Liturgia Swjatago Apostoloa Iakowa Brata Boziya I perwago bierarcha Ierusalima (Roma-Grottaferrata, 1970) p151: “Que o Senhor nos abençoe e nos torne dignos de tomar, com mãos imaculadas, o carvão aceso, metendo-o na boca dos fiéis, …”.
14- Papa São Leão o Grande, Sermões 91,3.
15- Papa São Gregório Magno, Diálogos 3,c. 3.
16- João 13:26-27: “Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa.”
17- São Cirilo de Jerusalém, Catequeses Mistagógicas 5,2 1f
18- São Cirilo de Jerusalém, Catequeses Mistagógicas 5,2
19- Tertuliano, De Corona 3: “Sofremos uma verdadeira angústia para que nada do cálice ou do pão caia por terra”
20- São Jerônimo In Ps 147, 14: “… se caísse um fragmento por terra, sintamo-nos em perigo.”
21- Orígenes In Exod. Hom. 13,3: “… recebendo o Corpo do Senhor, sabei como deveis guardá–Lo com todo o cuidado e veneração, a fim de que nem sequer cada um dos fragmentos caia…”
22- St Efrém Sermones In Hebdomada Sancta 4, 4: “… e tão pouco piseis os seus fragmentos. O mínimo fragmento deste pão pode santificar milhões de homens …”.
23- St Efrém Sermones In Hebdomada Sancta, 4, 4: “Queira Deus que nenhuma das pérolas ou fragmentos consagrados se fixe nos dedos ou caia por terra!”.
24- João 6.12. Cf. Mateus 14.20 e 15.37; Marcos 6.43 e 8.9; Lucas 9.17
25- [Nota de rodapé 6 In Memoriale Domini (MD)] Cf. S. Agostinho, Euarrationes in psultuos 98.9: PL :’7.1264•1265.
26- [Nota de rodapé 7 In MD] Cf. S. Justino, Apologia I. 66: PG 6.427; S. Irineu. Adversus haereses 4, 18.5: PG 7.1028s.
27- [Nota de rodapé 9 In MD] Cf. ibid. n. 9: AAS 59 (1967) 547.
28- [Nota de rodapé 10 In MD] Cf. S. Cirilo de Jerusalém. Catecheses mvstagogicae V. 21: PG 33,1126.
29- Papa João Paulo II Carta Apostólica Dominicae Caenae (1980) 11
30- Instrução Redemptionis Sacramentum (2004) 92, reiterando a resposta da Congregação para o Culto Divino a um dubium levantado em 1999, registrado na Notitiae 35 (1999) pp 160-161. NT: dubium: Uma questão doutrinária que é feita à Congregação para a Doutrina da Fé e que posteriormente recebe uma resposta.
31- Dominicae Caenae 11.
32- Ibid, o parágrafo precedente: “É preciso, todavia, não esquecer o múnus primário dos Sacerdotes, que foram consagrados na sua Ordenação para representar Cristo Sacerdote: as suas mãos, assim como a sua palavra e a sua vontade, por isso, tornaram-se instrumento directo de Cristo.”
33- Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice: ”Communion received on the tongue while kneeling’- Comunhão recebida sobre a língua e de joelhos – (2010)
34- São Tomás de Aquino (1225-1274); Suma Teológia, Pars III, Q.82, Art. 3, ad 8): ‘in reverentiam huius sacramenti, a nulla re contingitur nisi consecrata, unde et corporale et calix consecrantur, similiter et manus sacerdotis, ad tangendum hoc sacramentum. Unde nulli alii tangere licet, nisi in necessitate puta si caderet in terram, vel in aliquo alio necessitatis casu.’
35- Papa Pio XII Carta Encíclica Mediator Dei (1948): “A liturgia da época antiga é, sem dúvida, digna de veneração, mas o uso antigo não é, por motivo somente de sua antiguidade, o melhor, seja em si mesmo, seja em relação aos tempos posteriores e às novas condições verificadas. Os ritos litúrgicos mais recentes também são respeitáveis, pois que foram estabelecidos por influxo do Espírito Santo que está com a Igreja até à consumação dos séculos, (52) e são meios dos quais se serve a ínclita esposa de Jesus Cristo para estimular e conseguir a santidade dos homens.” (Haec eadem iudicandi ratio tenenda est, cum de conatibus agitur, quibus nonnulli enituntur quoslibet antiquos ritus ac caerimonias in usum revocare. Utique vetustae aetatis Liturgia veneratione procul dubio digna est; verumtamen vetus usus, non idcirco dumtaxat quod antiquitatem sapit ac redolet, aptior ac melior existimandus est vel in semet ipso, vel ad consequentia tempora novasque rerum condiciones quod attinet. Recentiores etiam liturgici ritus reverentia observantiaque digni sunt, quoniam Spiritus Sancti afflatu, qui quovis tempore Ecclesiae adest ad consummationem usque saeculorum (cfr. Matth. 28, 20), orti sunt; suntque iidem pariter opes, quibus inclita Iesu Christi; Sponsa utitur ad hominum sanctitatem excitandam procurandamque.)
36- Veja o parágrafo 4
37- Memoriale Domini.
38- Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice: ‘Communion received on the tongue while kneeling’- Comunhão recebida sobre a língua e de joelhos – (2010)
39- Ibid.
40- Congregação para as Igrejas Orientais, Instrução Il Padre Inestimabile para a aplicação das prescrições litúrgicas do Código dos Canônes das Igrejas Orientais, 6 de Janeiro de 1996, n. 58.


Como é que apareceu agora
a Comunhão na Mão?


Há 400 anos, a Comunhão na mão foi introduzida no culto "cristão" por homens cujos motivos tinham por base um desafio ao Catolicismo. Os revolucionários protestantes do Século XVI (chamados "reformadores" protestantes, numa cortesia imerecida) estabeleceram a Comunhão na mão para significar duas coisas:

1) Que acreditavam que não havia "transsubstanciação" nenhuma, e que o pão usado para a Comunhão não passava de pão vulgar. Por outras palavras, a Presença Real de Cristo na Eucaristia não passava de uma "superstição papista"; e como o pão não era mais do que pão, qualquer pessoa lhe podia tocar.

2) Que era sua crença que o ministro da Comunhão não era fundamentalmente diferente de qualquer leigo. Ora é ensinamento católico que o Sacramento da Ordem dá ao Sacerdote um poder espiritual, sacramental, imprime uma marca indelével na sua alma e fá-lo fundamentalmente diferente de um leigo. O Ministro Protestante, porém, não é mais do que um homem vulgar que introduz os cânticos, faz as leituras e prega sermões para excitar as convicções dos crentes. Não pode converter o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Nosso Senhor, não pode abençoar, não pode perdoar os pecados. Não pode fazer nada que um leigo normal não possa fazer.

O estabelecimento da Comunhão na mão pelos Protestantes foi o modo que eles escolheram para mostrar a sua rejeição da crença na Presença Real de Cristo na Eucaristia e a rejeição do Sacerdócio Sacramental — em resumo, para mostrar a sua rejeição do Catolicismo no seu todo.

Daí por diante, a Comunhão na mão passou a ter um significado nitidamente anti-católico: prática abertamente anti-católica, tinha por base a descrença na Presença Real de Cristo e também no Ministério Sacerdotal. Portanto, como a imitação é a forma mais sincera de lisonjear, não será bom perguntar por que razão os nossos eclesiásticos modernos imitam os infiéis auto-proclamados, que rejeitam a doutrina sacramental básica do Catolicismo? Eis uma pergunta a que os eclesiásticos intoxicados pelo espírito liberal do Vaticano II ainda não responderam satisfatoriamente.


Vejam as últimas notícia sobre a comunhão na mão:

“A comunhão na mão oferece um risco” diz Cardeal De Paolis. Roubo da Eucaristia na Itália



Tabernáculos são arrombados na Itália. Eucaristia é guardada em cofres.
Roma (kath.net/pl – Tradução Una Voce Brasil) A Igreja Católica na Itália vem sendo confrontada há meses com o roubo de Santa Eucaristia. Trata-se de tabernáculos quebrados, cibórios furtados cheios de hóstias consagradas, bem como o abuso da comunhão na mão, em que alguns colocam a Santa Eucaristia em uma bolsa para fins desconhecidos. Os motivos dos autores são discutidos: sacrilégios deliberados por muçulmanos? Ou para uso por seitas satânicas em missas negras? Isto foi relatado por “Vatican Insider”.

A comunidade católica prevê-se como sendo forçada a tomar contra-medidas. Em algumas áreas o tabernáculo é esvaziado e deixado aberto, a fim de se proteger contra roubo. O Todo-Poderoso será mantido em um local mais seguro, por isso ele deve ser armazenado em um cofre, aponta ao “Vatican insider” Dom Salvatore DiCristina, Arcebispo de Monreale. A diocese de Sizily já favoreceu uma ”linha dura” contra os criminosos.

O cardeal e canonista Velasio De Paolis explicou que sacrilégios contra a Eucaristia estão entre os mais graves de delitos e que esses crimes recebem a condenação de excomunhão ”latae sententiae”, que só pode ser levantada pela Santa Sé. De Paolis sustenta que até mesmo a comunhão na mão oferece um risco maior de que a Eucaristia possa ser tirada, profanada ou mantida para fim sacrílego.

A lista das infrações é longa. Dois muçulmanos receberam a Eucaristia de um sacerdote em Sondrio, mas não comungaram, pelo contrário, colocaram em suas bolsas de mão. Segundo informações da polícia, há um boom em cultos satânicos. Píxides cheias, por exemplo, foram roubadas em San Giovanni in Bosco (Vasto), cibórios cheios em San Vio, hóstias consagradas desapareceram da Igreja-hospital de Biancavilla (Katania), a comunidade de Santa Caterina dello Ionia foi alvo de um ataque noturno. Aqui e em muitos outros furtos Eucarísticos os tabernáculo svazios, que foram violentamente forçados a abrir com ferramentas de assaltante, são a regra.