Bem vindo ao Apostolado Beata Imelda e Eucaristia!

A nossa intenção é a de divulgar a história da Bem-Aventurada Imelda Lambertini, dominicana, que faleceu aos 11 anos de idade logo após a sua Primeira Comunhão. O conteúdo do blog se restringirá apenas à meditações sobre a vida e exemplo da Beata Imelda Lambertini e também a postagens de textos e escritos dos mais diversos santos que tenham registrado documentos à respeito da Santa Missa e da Santíssima Eucaristia.

"Não sei como as pessoas não morrem de alegria ao receberem Nosso Senhor na Eucaristia!" (Beata Imelda Lambertini).
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Maria, Nossa Mãe, no Cenáculo (Parte II - Final)



II. A grande missão de Maria consiste em formar Jesus em nós; foi a missão que Ele próprio lhe confiou no Calvário.

Quando, aos pés da cruz, teria preferido morrer com seu Filho, no momento em que a chama de amor do seu coração virginal envolvia o Corpo de Jesus, Ele parece dizer-lhe, confiando-lhe São João: "Por meu sacrifício, me torno Salvador e Pai da grande família humana, mas esses pobres filhos, ainda tão inexperientes, necessitam de uma devotada Mãe; desempenhai para com eles esta missão, ó mulher forte, amai-os como me haveis amado e como Eu os amo. Por eles me fiz homem e ainda por causa deles meu Pai Celestial vos fez minha Mãe, e é por eles que dou meu sangue e minha vida. Amo-os mais do que a Mim mesmo, e lhes transmito todo o direito que tenho ao vosso amor materno; tudo quanto lhes fizerdes, a Mim o fareis; deponho em vossas mãos o fruto de minha Redenção, a salvação dos homens, o cuidado de minha Igreja e o serviço de meu Sacramento de amor. Formai-me adoradores em espírito e em verdade, que me adorem como vós, que me sirvam como me servistes, que me amem como me tendes amado!"

Foi este o último legado de Jesus, assinado com seu sangue e ratificado pelo Coração de Maria, sua divina Mãe. Com Jesus Ela havia subido ao Calvário para morrer com Ele; desce agora com o discípulo, seu filho de adoção, e com as santas mulheres, suas filhas, e se dirige ao Cenáculo da Eucaristia para nele iniciar sua maternidade cristã, aos pés do Divino Sacramento. E será Ela quem há de organizar a corte de honra de Jesus Eucaristia, formando-lhe bons e dedicados servos.

Oh! não duvideis! Se entrastes no Cenáculo, se tendes a felicidade de conhecer, de amar e de servir o Santíssimo Sacramento, deveis esta graça a Maria. Foi Ela que vos pediu ao Pai Celestial para a guarda de amor do Deus da Eucaristia; foi Ela que vos conservou puros no meio do mundo e que vos conduziu pela mão aos pés do trono eucarístico.

Agradecei muito a esta boa Mãe; a Ela deveis todas as vossas graças, e entre todas, a maior, que é esta de amar e servir o Rei dos reis em seu trono de amor, consagrando-Lhe toda a vossa vida!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Maria, Nossa Mãe, no Cenáculo (Parte I)



Nossa bela partilha consiste em honrar por um culto todo particular a vida de Maria no Cenáculo, inteiramente dedicada ao serviço e à gloria da adorável Eucaristia. É preciso que nos penetremos de seu espírito e de seu amor, a fim de que possamos tributar ao nosso Divino Salvador, presente entre nós, um preito de adoração mais perfeito e agradável, em união com aquele que Lhe prestava sua Mãe Santíssima. Com efeito, para nos tornarmos bons servos da Eucaristia, devemos ser filhos dóceis e dedicados desta Mãe querida. Não foi um título quimérico que Jesus Crucificado nos conferiu sobre o Coração de Maria Santíssima; e, por este testemunho de amor, ocupamos o lugar de Jesus no Coração de sua Mãe, que desde aquele instante começou a nos amar como verdadeiros filhos.

Penetrai-vos, pois, do espírito de Maria, que é o mesmo de Jesus, visto que Ela o hauriu em sua fonte divina, e está inundada desta graça para no-la comunicar. É a única e fiel cópia das virtudes de seu Filho, pois que trabalhou durante 33 anos tendo diante dos olhos o original divino. Além disso, Maria possui o conhecimento de todos os segredos do amor de Jesus para com os homens, amor do qual compartilha. Oh! quão ternamente esta boa Mãe nos ama, e com que dedicação! Sim, Maria nos ama como somente poderia fazê-lo Mãe tão solícita e poderosa!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Maria — Mãe dos Adoradores da Eucaristia (Parte III - Final)



III. A vós, adoradores, também se recomenda: Adorai sempre Jesus Eucaristia, mas a exemplo da Santíssima Virgem, variai as vossas adorações. Relacionai todos os mistérios com a Eucaristia, fazendo-o reviver nela. Sem isto, caireis na rotina. Se o espírito, de vosso amor não for alimentado de uma forma, de um pensamento novo. haveis de vos sentir lânguidos e áridos na oração. Ê necessário, pois, celebrar todos os mistérios na Eucaristia, como fazia a Santíssima Virgem no Cenáculo.

Nos aniversários dos grandes mistérios que se haviam realizado sob os seus olhos, pensais por acaso que Ela não renovava em si as circunstâncias, as palavras e as graças desses mistérios? Na festa do Natal, por exemplo, julgais que Maria não recordava a seu Filho, então oculto sob os véus eucarísticos, o amor de seu nascimento, seu sorriso, suas adorações, bem como as de São José, dos pastores e dos Magos? Procurava, neste como nos demais mistérios, regozijar o Coração de Jesus, relembrando-Lhe o seu amor.

Que fazemos nós com um amigo? Acaso lhe falamos sempre do presente? Não, de certo; evocamos o passado, fazendo-o reviver. E quando queremos cumprimentar o nosso pai ou a nossa mãe, não lhes recordamos o imenso amor, a dedicação constante e generosa que nos prodigalizaram em nossa infância? Pois bem; da mesma forma, em suas adorações no Cenáculo, a Santíssima Virgem repetia a Jesus tudo o que Ele havia feito para a glória de seu Pai; lembrava-Lhe seus grandes sacrifícios, e assim penetrava na graça da Eucaristia. O Santíssimo Sacramento é o memorial de todos os mistérios e renova-lhes o amor e a graça. Deveis à imitação de Maria, corresponder a esta graça, reavivando as ações de Nosso Senhor, adorando lodos os seus estados, e unindo-vos a eles.

A Santíssima Virgem tinha uma atração tão forte pela Eucaristia, que não lhe era possível separar-se do Santíssimo Sacramento; vivendo, portanto, n'Ele e por Ele. Passava os dias e as noites aos pés de seu divino Filho; porém, sem deixar de se entreter com os Apóstolos e os fiéis que A procuravam; seu ardente amor para com o Deus oculto transluzia então em seu semblante, e comunicava seus ardores a todos que A cercavam.

Ó Maria, ensinai-nos a vida de adoração! Fazei-nos encontrar, como vós, todos os mistérios e todas as graças na Eucaristia; reviver o Evangelho, e ler as suas páginas na vida eucarística de Jesus. Lembrai-vos, ó Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que sois a Mãe dos adoradores da Eucaristia.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Modelos de padres que unem o culto da Eucaristia à devoção para com a Santíssima Virgem



Entre os santos personagens que ilustraram o século XVII, muitos nos mostram como podemos unir o culto da Eucaristia à devoção para com a Santíssima Virgem, fazendo-os se auxiliarem mutuamente.

O venerável Cardeal de Bérulle, que mereceu do Papa Urbano VIII o título de Apóstolo do Verbo Encarnado, e cuja predileção por Maria era mais angélica do que humana, e o Padre de Condren, que recebeu, conforme atestam os mais ilustres doutores de seu tempo, luzes sublimes sobre os mistérios, tinham o costume de oferecer a Santa Missa, aos sábados, em
honra da Santíssima Virgem. Mons. Olier, o santo fundador de São Sulpício e o reformador do clero na mesma época, imitou-lhes esta piedosa prática; fazia celebrar diariamente três missas, cujos frutos colocava entre as mãos da Santa Virgem, afim de que, oferecendo-os a seu Filho, obtivesse para a Igreja tesouros infinitos de graças.

Houve também um piedoso missionário jesuíta, em Québec, que propôs a São João Eudes, fundador da Congregação que tem o seu nome, um projeto de associação de padres, que se chamariam os Capelães de Nossa Senhora, e que se deveriam unir para oferecer o Santo Sacrifício segundo as intenções desta augusta Rainha do Céu, afim, dizia ele, de que o Filho de Deus se apresentasse ao seu Pai, no estado de Hóstia, pelas mãos puríssimas d'Aquela de quem se servira para descer até nós em se fazendo homem.

(Vida de m. Olier, t. II, passim,).

PRÁTICA — Oferecer nossas adorações a Jesus Sacramento pelas mãos de Maria.

JACULATÓRIA — Bendita sois entre as mulheres, ó Maria, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus Eucaristia!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Maria — Mãe dos Adoradores da Eucaristia (Parte II)



II. Se bem a considerarmos, a vida de Maria se resume nesta palavra: adoração, porque a adoração é o serviço de Deus em toda a sua perfeição, abrangendo os deveres da criatura para com o seu Criador.

Nossa Senhora foi a primeira adoradora do Verbo Encarnado, pois Ele já estava em seu seio e ninguém sabia na terra. Oh! como Nosso Senhor foi bem servido no seio de Maria! Jamais encontrou Ele um cibório ou vaso de ouro mais precioso e mais puro do que o seio de sua Mãe. Esta sua adoração lhe era mais agradável do que a de todos os anjos. “O Senhor colocou o seu Tabernáculo no sol”, diz o Salmista, e este é o coração de Maria.

Em Belém, é a primeira a adorar seu divino Filho, reclinado no presépio. Adora-O com o perfeito amor de Virgem Mãe, um amor de dileção, segundo a palavra do Espírito Santo; depois d'Ela, adoram-nO São José, os pastores e os Magos; foi Maria quem abriu este sulco de fogo que se estenderá pelo mundo.

Que coisas sublimes, que palavras divinas não diria Ela, vivendo num estado de amor que não podemos avaliar nem medir!

Maria continua a adorar Nosso Senhor em sua vida oculta de Nazaré; depois, em sua vida pública, e enfim no Calvário, onde sua adoração foi o sofrimento. Considerai a natureza da adoração da Santíssima Virgem; adora Nosso Senhor conforme os seus diversos estados, adaptando sua adoração ao estado de Jesus; mais: o estado de Jesus determina o cará ter
de sua adoração. Maria não permaneceu numa adoração invariável; adorou o Deus aniquilado em seu seio, depois pobre em Belém, trabalhando em Nazaré, e mais tarde evangelizando e convertendo os pecadores; adorou Jesus nos sofrimentos do Calvário, padecendo com Ele; sua adoração acompanhava todos os sentimentos de seu divino Filho, que lhe eram conhecidos e manifestos, e seu amor A fazia entrar em perfeita conformidade de pensamentos e de vida com Ele.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A adoração de Súplica de Maria Santíssima (parte II - Final)



II. Os adoradores partilham da vida e da missão de súplica de Maria aos pés do Santíssimo Sacramento; é a mais bela das missões e não apresenta perigo. É, também, a mais santa, porque abrange o exercício de todas as virtudes; é mais necessária à Igreja, que tem maior necessidade de oração do que de pregadores, de homens de penitência do que de homens eloquentes.

Em nossos dias, mais do que nunca, necessitamos de homens que, pela própria imolação, desarmem a cólera de Deus, irritado contra os delitos sempre crescentes das nações; temos precisão de almas que, com suas súplicas, reabram os tesouros da graça, fechados pela indiferença geral; são necessários verdadeiros adoradores, quer dizer, homens de fogo e de sacrifício; quando estes forem numerosos em torno de seu Divino Chefe, Deus será glorificado, Jesus será amado, e as sociedades se tornarão cristãs, conquistadas a Jesus Cristo por meio do apostolado da oração eucarística.

III. O apostolado de Maria Santíssima consistia, além disso, na pregação muda, porém persuasiva, do respeito.
Tal pregação convém a todos e, uma alma desejosa de tornar a Eucaristia amada e conhecida, a ela se aplicará com grande empenho, em união com Maria; com que modéstia e reverência essa perfeita adoradora se conservava aos pés do Santíssimo Sacramento! Permanecia na atitude dos anjos perante a Majestade divina, e a ninguém dava atenção, compenetrada e absorta que estava, pela fé, na real Presença de Jesus. Ao se apresentar diante de Nosso Senhor, vinha sempre conveniente e religiosamente vestida, como para uma visita de cerimônia. Um traje negligente e um porte descuidado denotam falta de fé e desordem interior.

Aos pés de seu Deus, Maria permanecia, de joelhos o mais que podia; esta é a posição adotada pela Igreja para a adoração, é a homenagem do corpo, a humildade da fé; de joelhos aos pés de Jesus, é o lugar do amor. O respeito no lugar santo, mormente diante do Santíssimo Sacramento, deve ser a grande virtude pública dos adoradores. Este respeito é sua profissão solene de fé, e ao mesmo tempo, a graça de sua piedade e fervor, pois Deus sempre castiga as irreverências cometidas no santuário, por meio do enfraquecimento da fé e da privação das graças de piedade. Toda a pessoa que se mostrar irreverente ou pouco respeitosa diante de Nosso Senhor, não deve estranhar a aridez na oração; ainda é pouco, pois mereceria até mesmo ser vergonhosamente expulsa de sua presença, como um insensato.

Sejamos pois muito severos no tocante ao culto de respeito; conservemos a dignidade do porte e uma atitude religiosa, guardando um rigoroso silêncio e um perfeito recolhimento. Na Igreja, só devemos prestar atenção a Jesus Cristo; aí não se conhecem os amigos. Jesus é tudo: a corte não olha senão para o Rei e só a Ele rende vassalagem. À vista do religioso e profundo respeito dos adoradores, os mundanos serão obrigados a exclamar: Aqui deve haver alguma coisa de grande! Os fracos e tíbios se confundirão por sua tibieza e reconhecerão a Jesus Cristo: o exemplo é a lição régia da sabedoria e o apostolado mais fecundo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Maria — Mãe dos Adoradores da Eucaristia (Parte III)



III. A vós, adoradores, também se recomenda: Adorai sempre Jesus Eucaristia, mas a exemplo da Santíssima Virgem, variai as vossas adorações. Relacionai todos os mistérios com a Eucaristia, fazendo-o reviver nela. Sem isto, caireis na rotina. Se o espírito, de vosso amor não for alimentado de uma forma, de um pensamento novo. haveis de vos sentir lânguidos e áridos na oração. Ê necessário, pois, celebrar todos os mistérios na Eucaristia, como fazia a Santíssima Virgem no Cenáculo.

Nos aniversários dos grandes mistérios que se haviam realizado sob os seus olhos, pensais por acaso que Ela não renovava em si as circunstâncias, as palavras e as graças desses mistérios? Na festa do Natal, por exemplo, julgais que Maria não recordava a seu Filho, então oculto sob os véus eucarísticos, o amor de seu nascimento, seu sorriso, suas adorações, bem como as de São José, dos pastores e dos Magos? Procurava, neste como nos demais mistérios, regozijar o Coração de Jesus, relembrando-Lhe o seu amor.

Que fazemos nós com um amigo? Acaso lhe falamos sempre do presente? Não, de certo; evocamos o passado, fazendo-o reviver. E quando queremos cumprimentar o nosso pai ou a nossa mãe, não lhes recordamos o imenso amor, a dedicação constante e generosa que nos prodigalizaram em nossa infância? Pois bem; da mesma forma, em suas adorações no Cenáculo, a Santíssima Virgem repetia a Jesus tudo o que Ele havia feito para a glória de seu Pai; lembrava-Lhe seus grandes sacrifícios, e assim penetrava na graça da Eucaristia. O Santíssimo Sacramento é o memorial de todos os mistérios e renova-lhes o amor e a graça. Deveis à imitação de Maria, corresponder a esta graça, reavivando as ações de Nosso Senhor, adorando lodos os seus estados, e unindo-vos a eles.

A Santíssima Virgem tinha uma atração tão forte pela Eucaristia, que não lhe era possível separar-se do Santíssimo Sacramento; vivendo, portanto, n'Ele e por Ele. Passava os dias e as noites aos pés de seu divino Filho; porém, sem deixar de se entreter com os Apóstolos e os fiéis que A procuravam; seu ardente amor para com o Deus oculto transluzia então em seu semblante, e comunicava seus ardores a todos que A cercavam.

Ó Maria, ensinai-nos a vida de adoração! Fazei-nos encontrar, como vós, todos os mistérios e todas as graças na Eucaristia; reviver o Evangelho, e ler as suas páginas na vida eucarística de Jesus. Lembrai-vos, ó Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, que sois a Mãe dos adoradores da Eucaristia.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Maria — Mãe dos Adoradores da Eucaristia (Parte II)



II. Se bem a considerarmos, a vida de Maria se resume nesta palavra: adoração, porque a adoração é o serviço de Deus em toda a sua perfeição, abrangendo os deveres da criatura para com o seu Criador, Nossa Senhora foi a primeira adoradora do Verbo Encarnado, pois Ele já estava em seu seio e ninguém sabia na terra. Oh! como Nosso Senhor foi bem servido no seio de Maria! Jamais encontrou Ele um cibório ou vaso de ouro mais precioso e mais puro do que o seio de sua Mãe. Esta sua adoração lhe era mais agradável do que a de todos os anjos. “O Senhor colocou o seu Tabernáculo no sol”, diz o Salmista, e este é o coração de Maria.

Em Belém, é a primeira a adorar seu divino Filho, reclinado no presépio. Adora-O com o perfeito amor de Virgem Mãe, um amor de dileção, segundo a palavra do Espírito Santo; depois d'Ela, adoram-nO São José, os pastores e os Magos; foi Maria quem abriu este sulco de fogo que se estenderá pelo mundo.

Que coisas sublimes, que palavras divinas não diria Ela, vivendo num estado de amor que não podemos avaliar nem medir!

Maria continua a adorar Nosso Senhor em sua vida oculta de Nazaré; depois, em sua vida pública, e enfim no Calvário, onde sua adoração foi o sofrimento. Considerai a natureza da adoração da Santíssima Virgem; adora Nosso Senhor conforme os seus diversos estados, adaptando sua adoração ao estado de Jesus; mais: o estado de Jesus determina o cará ter de sua adoração. Maria não permaneceu numa adoração invariável; adorou o Deus aniquilado em seu seio, depois pobre em Belém, trabalhando em Nazaré, e mais tarde evangelizando e convertendo os pecadores; adorou Jesus nos sofrimentos do Calvário, padecendo com Ele; sua adoração acompanhava todos os sentimentos de seu divino Filho, que lhe eram conhecidos e manifestos, e seu amor A fazia entrar em perfeita conformidade de pensamentos e de vida com Ele.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Maria — Mãe dos Adoradores da Eucaristia (Parte I)


I.   Se nossa vida não estivesse sob o patrocínio de Nossa Senhora, poderia haver dúvidas quanto à nossa perseverança e salvação. Nossa vocação, que de modo especial nos liga ao serviço do divino Reidos reis, exige terminantemente que recorramos a Maria. No Santíssimo Sacramento Jesus é Rei, e quer a seu serviço servos adestrados e que tenham feito o seu tirocínio; antes de alguém se apresentar ao rei, aprende a servir. Jesus nos deixou sua divina Mãe para ser a Mãe e o Modelo dos adoradores. Segundo a opinião mais aceita, deixou-A vinte e cinco anos na terra para que nos ensinasse a adorá-lO perfeitamente. 

Quão sublime foi esta vida de vinte e cinco anos passados na adoração! Quando se considera o amor que Jesus dedicava a sua Mãe, fica-se admirado de que tenha consentido separar-se d'Ela. Acaso não atingira o seu termo a santidade de Maria? Não tinha sofrido bastante no Calvário, onde padeceu mais do que todas as criaturas?  Sem dúvida; porém os interesses da Eucaristia reclamavam sua presença; Jesus não queria ficar no Santíssimo Sacramento sem a companhia de sua Mãe; não desejava que a primeira hora da adoração eucarística fosse confiada a pobres adoradores, incapazes de adorá-10 dignamente. Os Apóstolos, obrigados a se dedicar à salvação das almas, não dispunham do tempo necessário à adoração eucarística; apesar do amor que os teria retido aos pés do Tabernáculo, a sua missão de apóstolos chamava-os a outros lugares. 

Aos cristãos, semelhantes a criancinhas ainda no berço, era necessário uma boa mãe que os educasse e um modelo que pudessem copiar; e foi a Sua Mãe Santíssima que Jesus Cristo lhes deixou.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Vida de Adoração em União com Maria (Parte II - Final)




II. Examinai vossa vida passada! Não é verdade que já tínheis uma grande devoção a Maria Santíssima antes mesmo de vos dedicardes à Eucaristia? Suspiráveis por seu amor e por sua pureza, embora sem conhecer a sua vida eucarística. Já dizíeis: "Oh! se eu possuísse as virtudes de minha Mãe Santíssima, para servir a Jesus!" Era esse um primitivo atrativo. Fazíeis então como a criancinha que, não podendo pegar na mão de sua mãe, a segura pelo avental ou pela saia, e se esta se afasta um instante, julga que está perdida.
A mãe constitui um centro, e permanece sempre um centro; sentimos a necessidade de viver com ela e de permanecer ao seu lado.

A Santíssima Virgem não é como os santos, que concede certas e determinadas graças. Maria concede todas as graças e por isto sempre necessitamos d'Ela.

É ainda a mãe que ensina ao filhinho as palavras que agradarão ao pai; é ela quem compõe o cumprimento que deverá recitar; e ainda quem prepara o banquete ao gosto do pai. Percebeis onde quero chegar? Quero vos dizer: adorai o Nosso Senhor em companhia da Santíssima Virgem, Não digo permanecei n’Ela; não, Jesus ai está diante de vós para irdes diretamente a Ele, porém fazei-o sem Maria, vivei com Ela e n’Ela; visto que Nosso Senhor vô-LA deu como diretora, jamais deveis adorar sem Ela. Dizei-lhe: "Minha boa Mãe, acompanhai-me; a mãe sempre acompanha seu filho; sem vós nada saberei dizer."

Imaginai ver Maria de joelhos no Cenáculo; vede-A adorando seu Filho oculto na Eucaristia. Oh! quão agradável era a Jesus o que lhe dizia sua Mãe! Como sabia comover o coração do seu Filho! Ajoelhai-vos, pois ao lado de Maria: não queirais caminhar só, não andeis adiante, mas permanecei ao lado d'Ela, fazendo com Ela uma única adoração, apresentando a mesma homenagem. "Oh! Jesus, eu não sei adorar, mas ofereço-vos as palavras, os transportes do coração de vossa Mãe, que é também minha: não sei adorar, mas repetir-vos-ei sua adoração pelos pecadores, pela conversão do mundo e por todas as necessidades da Igreja."

Desse modo contentareis o coração de Maria. Ela vos mostrará a Jesus dizendo-Lhe: "Oh! meu Filho, vede como eu revivo nesta alma, como continuo a adorar-vos nela e por ela!"

Oh! sim, se alguém deve honrar, amar o servir a Maria, é certamente aquele que faz profissão de viver pela Eucaristia, porque precisa de Maria para adorar; na adoração, Maria e o adorador devem se identificar. Ah! deixai que a Santíssima Virgem governe vossa vida, deixai que Ela vos leve a Jesus! Maria só deseja uma coisa: a glória de Seu Divino Filho e a vossa felicidade.

sábado, 10 de novembro de 2012

A Vida de Adoração em União com Maria (Parte I)




 I. Considerando atentamente as razões pelas quais Nosso Senhor nos deixou sua Mãe, separando-se d’Ela, parece-me que o fez porque desconfiava de nossa fraqueza e inconstância.

Temia Jesus que os homens, não sabendo como encontrá-LO e adorá-LO em seu Sacramento, se desgostassem e O esquecessem. A criança, como sabeis, não procura por muito tempo o que deseja; se não encontra, muda de ideia e recorre a outra coisa. É justamente o que Nosso Senhor receava de nós. Por isso nos deixa sua Mãe com a missão de tomar-nos pela mão, e conduzir-nos a seu Tabernáculo. A Santíssima Virgem vem a ser, pois, nossa Mãe por causa da Eucaristia; está encarregada de fazer-nos encontrar nosso Pão de vida e de no-lo fazer apreciar e desejar, recebendo a missão de nos formar à adoração.
Em Jerusalém, reúne uma piedosa comunidade com a qual distribui seu tesouro e sua graça de amor. Esta ação se estendia aos discípulos e aos primeiros fiéis; Maria educava seus filhos como verdadeira mãe, formando-os à virtude e aos seus deveres de estado. O que Maria fez então continuará a fazê-lo ainda por nós; há de instruir-nos acerca de Nosso Senhor na Eucaristia, fazendo-nos participar de sua piedade para com Ele, e de sua dedicação em seu serviço, porque tudo quanto pertence à mãe pertence aos filhos, é para eles que ela se enriquece.
Maria é mãe, fará portanto nossa educação. Quando o filho se distrai do trabalho, a mãe acorre logo para chamá-lo à ordem; quando está doente, ela o trata; não o deixa nunca; importa que desempenhe sua missão de educadora.
Será, pois Maria quem vos há de formar inspirando-vos seu modo de adorar, fazendo sua adoração em vós; somente Ela poderá vos ensinar a verdadeira e perfeita adoração; só um coração materno é capaz de se fazer compreender por seu filho. É mister que a Santíssima Virgem vos diga: "Vinde adorar comigo."

Nosso Senhor colocou Maria em nosso caminho para que seja o traço de união entre Ele e nós. Maria infunde o primeiro atrativo para Jesus. Instintivamente, a criança se dirige em primeiro lugar à mãe e esta logo a conduz ao pai, mas, por si mesma, não corre para ele; segue, antes, à mãe. E Nosso Senhor nos deu Maria por mãe a fim de que Ela seja para nós um primeiro centro de fácil atração; antes de conhecer a Eucaristia já conhecíamos o nome de nossa Mãe a quem amávamos. Maria nos atraiu, pois a si, formou-nos nas virtudes indispensáveis à vida eucarística, e assim deve ser: para mim. é evidente que não existirá verdadeira devoção à Eucaristia e nem haverá boas vocações para o Santíssimo Sacramento a não ser aquelas formadas por Maria. Não, não, a criança só se forma nos braços de sua mãe e no seu regaço. É preciso que todas as vocações passem pelas mãos de Maria, para que sejam agradáveis ao coração de Nosso Senhor.


Continua.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Da meditação sobre a Eucaristia por meio de Maria Santíssima(parte IV)




IV. Efetivamente, todos os mistérios da vida de Nossa Senhora revivem no Cenáculo. Se meditardes o nascimento de seu Filho em Belém, completai o Evangelho, e vereis o nascimento eucarístico deste mesmo Filho no altar. A fuga para o Egito? Não vedes que Nosso Senhor ainda está no meio de bárbaros e de estranhos em tantas cidades e aldeias nas quais se fecham as Igrejas e onde ninguém vai visitá-lO? E sua vida oculta em Nazaré? Não está Ele ainda mais escondido aqui? Completai pela Eucaristia todos os mistérios e meditai a parte que Nossa Senhora tem neles.
O essencial é procurar praticar uma das virtudes da Santíssima Virgem; escolhei, de preferência, as mais humildes, as mais pequeninas; já as conheceis; depois, gradualmente, chegareis até as suas virtudes interiores, até o seu amor.
Ademais, oferecei todo dia um sacrifício; vede o que mais vos há de custar; há sacrifícios que podemos prever, como tal pessoa a visitar, certa coisa a fazer. Oferecei, pois, esse sacrifício, que há de contentar a Santíssima Virgem e será mais uma flor acrescentada na coroa que Ela deseja oferecer em vosso nome a seu Filho no dia de sua festa, a bela festa do Corpo de Deus.

Se não puderdes prever sacrifícios particulares, conservai-vos pelo menos no propósito firme e generoso de aceitar todos os que Deus vos enviar; cuidai em apanhar em pleno voo esse pássaro do céu. Há mensageiros de Deus que nos trazem graças ocultas em uma coroa de espinhos. Deveis recebê-los bem. Um sacrifício pressentido dá lugar à reflexão, e o raciocínio diminui-lhe o valor; ao passo que os sacrifícios imprevistos, feitos generosamente, sem exame, são mais meritórios. Deus nos quer surpreender, e nos diz apenas: "Estai preparados!" E a alma fiel está disposta para tudo que Deus quiser. O amor gosta de surpresas. Não deixeis passar tais ocasiões. Para isso, é bastante ser generoso.

Oh! quanto é bela a alma generosa! Deus é por ela glorificado; e referindo-se a esta alma, o Senhor repete, com um sentimento de júbilo e admiração, o que dissera de Job: "Viste meu servo Job?..." Quem ama não deixa passar esses sacrifícios; está sempre alerta, e ao sentir que se aproxima uma cruz, prepara-se para recebê-la bem.

Vamos, honrai a Santíssima Virgem por um sacrifício cotidiano; ide a Jesus por Maria; segui-lhe os passos, abrigai-vos sob seu manto; revesti-vos de suas virtudes; sede apenas uma sombra de vossa Mãe; oferecei a Nosso Senhor todas as suas virtudes, seus méritos e ações; para isto, nada mais tendes a fazer do que tomá-los de Maria e dizer a Jesus: "A vós ofereço as riquezas adquiridas por minha boa Mãe." E Nosso Senhor ficará contente convosco.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Da meditação sobre a Eucaristia por meio de Maria Santíssima(parte III)



III. Que fez a Santíssima Virgem no Cenáculo? Adorou; foi a Rainha e a Mãe dos adoradores; foi, numa palavra, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Vossa ocupação durante este mês será honrá-lA sob este belo título, meditar o que Ela fazia, e procurar compreender como Nosso Senhor aceitava as Suas adorações; descobrireis a perfeita união desses dois corações: o de Jesus e o de Maria, perdidos num só amor, em uma única e mesma vida. É necessário que a vossa piedade levante o misterioso véu que esconde a vida adoradora de Maria.

Ficamos admirados de que os Atos dos Apóstolos nada nos digam a respeito, e se contentem em deixar Maria no Cenáculo. Ah! é que toda a sua vida aí foi unicamente uma vida de amor e de adoração.
Como descrever o amor e a adoração? Como exprimir esse reinado de Deus na alma, e esta vida da alma em Deus? Não se pôde explicar; a linguagem não tem expressões para interpretar as delícias do céu, e assim acontece com a vida de Maria no Cenáculo.
São Lucas apenas nos diz que ali Nossa Senhora vivia e orava. Compete à meditação e ao amor estudar o interior desta vida. Tudo o que nos for possível avaliar de potência no amor, e de santidade e perfeição nas virtudes, podemos atribuir a Maria; mas, porque Ela viveu ali de união ao Santíssimo Sacramento, durante mais de vinte anos, todas as suas virtudes se revestiam do caráter eucarístico, alimentadas que foram pela comunhão, pela adoração, por

uma constante união a Jesus Eucaristia. As virtudes da Santíssima Virgem atingiram no Cenáculo o apogeu de sua perfeição, uma perfeição ilimitada, por assim dizer, e somente ultrapassada pela perfeição das virtudes de Jesus Cristo.
Pedi a Nosso Senhor que vos revele o que se passava no Cenáculo entre Ele e sua Mãe; Ele vos dirá, certamente, algumas dessas maravilhas; não todas, porque não poderíeis entendê-las, porém uma parte, e isso fará a vossa felicidade.
Quanto me sentiria feliz se pudesse compor um mês de Maria adoradora! Para isto é necessário rezar e meditar muito; é preciso compreender a ação de graças do amor de Maria. Eis o que eu desejo ardentemente; mas, para consegui-lo, é mister maior preparação. (1)



(1) 0 Bem-aventurado pôs mãos à obra; deixou-nos algumas meditações sobre a vida adoradora de Maria. Penetrou no íntimo da vida de Nossa Senhora e procurou nos revelar os sentimentos de seu coração, a intensidade do seu amor. São estas as meditações que se encontram no presente volume. [...] Afim de apresentar uma delas, reunimos todas as instruções do Bem-aventurado sobre a SSmn. Virgem, nas quais, sem excepção, ele nos apresenta Maria unida a Jesus Cristo e d'Ele recebendo ou a Ele referindo todas as suas graças e perfeições; e visto que a Eucaristia é o próprio Jesus Cristo, a Santa Virgem é, consequentemente, nestas meditações, Nossa Senhora do SSmo. Sacramento.

A adoração de Súplica de Maria Santíssima (parte I)



I. Maria dedicava-se totalmente à glória de Jesus na Divina Eucaristia. Sabia que o desejo do Pai Celestial era vê-la conhecida, amada e servida por todos; sabia também que o Coração de Jesus sente, por assim dizer, necessidade de comunicar aos homens todos os seus dons de graça e de glória; que a missão do Espírito Santo é difundir e aperfeiçoar nos corações o reinado de Jesus Cristo; que a Igreja foi expressamente fundada para dar Jesus ao mundo; por isto, todo o desejo de Maria era torná-lO conhecido em seu Sacramento; seu imenso amor para com Jesus tinha necessidade de expandir-se e dilatar-se para, de algum modo, compensá-la da impossibilidade em que se achava de glorificá-lo tanto quanto houvera desejado.

Desde o Calvário, todos os homens se haviam tornado seus filhos; amava-os com ternura de mãe e desejava-lhes tanto bem quanto a si mesma; eis a razão pela qual anhelava ardentemente dar a conhecer a todos Jesus Sacramentado, inflamar em santo amor os corações e prendê-los ao seu amável serviço.

A fim de conseguir tal graça, a Santíssima Virgem desempenhava aos pés da Eucaristia uma missão perene de oração e de penitência; ali tratava da salvação do mundo, e em seu imenso ardor abraçava as necessidades dos fiéis de todos os lugares e de todos os tempos vindouros que haveriam de herdar a devoção à Divina Eucaristia, consagrando-se ao seu ser-vocação à Divina Eucaristia, consagrando-se ao seu serviço.

Entretanto, a missão mais cara ao seu coração, era e trabalhos dos Apóstolos e dos demais membros do Sacerdócio de Jesus Cristo. Não é, pois, de estranhar que estes obreiros apostólicos convertessem tão facilmente nações inteiras, pois que Maria, permanecendo aos pés do trono das misericórdias, implorava para eles a bondade do Senhor. Sua oração convertia as almas e visto que toda a conversão é fruto da prece e que a súplica de Maria não poderia sofrer recusa, é evidente que os Apóstolos possuíam nesta Mãe de bondade sua melhor auxiliar. "Bem-aventurado aquele por quem Nossa Senhora reza."

sábado, 27 de outubro de 2012

Da meditação sobre a Eucaristia por meio de Maria Santíssima(parte II)



II. Visto que somos consagrados de uma maneira especial ao serviço da Eucaristia, e que somos adoradores, é nessa qualidade que devemos um culto particular a Maria.
Religiosos do Santíssimo Sacramento, Servas do Santíssimo Sacramento. Agregados do Santíssimo Sacramento, somos, pelo nosso estado, adoradores da Eucaristia; é o nosso belo título, abençoado por Pio IX. Que quer dizer adoradores? Quer dizer que somos ligados à Pessoa adorável de Nosso Senhor vivendo na Eucaristia. Mas, se pertencemos ao Filho,
também pertencemos à Mãe; se adoramos o Filho, devemos honrar a Mãe, e somos obrigados, para entrar plenamente na graça de nossa vocação, e nela permanecer, a prestar um culto especial à Santíssima Virgem como Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Esta devoção não está muito espalhada, e este culto ainda não foi explicitamente adotado pela Igreja. É que o culto de Maria segue o de Jesus; segue-lhe as fases e o desenvolvimento. Quando honramos Nosso Senhor na Cruz, oramos a Nossa Senhora das Dores; quando meditamos a vida submissa e retirada de Nazaré, tomamos por modelo Nossa Senhora da vida oculta; a Santíssima Virgem acompanha todos os estados de seu Filho.

Maria ainda não tinha sido saudada com esse belo título de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Eis que o culto da Eucaristia se propaga; jamais, como em nossos dias, foi êle tão grande, tão universal; espalha-se por toda parte.

É a graça trazida ao mundo pela Imaculada Conceição. Sem dúvida, a devoção ao Santíssimo Sacramento não é nova; mas, presentemente, há uma outra manifestação da Eucaristia: o Deus oculto sai de seu Tabernáculo; por toda parte, dia e noite, faz-se a Exposição do Santíssimo Sacramento; a Eucaristia vai se tornar uma fonte de salvação para este século; o culto da Eucaristia será a sua glória e grandeza. Pois bem; a devoção a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento crescerá com o culto da Eucaristia.

Ainda não encontrei esta devoção explicada em livro algum; jamais ouvi falar nela, a não ser nas revelações da Madre Maria de Jesus, onde li alguma coisa da Comunhão de Maria, e nos Atos dos Apóstolos, em que vemos Maria no Cenáculo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da meditação sobre a Eucaristia por meio de Maria Santíssima(parte I)



I. A profissão especial que fazemos de honrar a Eucaristia não deve diminuir a nossa devoção para com a Santíssima Virgem. Longe disso! Proferiria uma blasfêmia quem dissesse; Basta-me o Santíssimo Sacramento; não preciso de Maria! — Mas, onde encontraremos Jesus na terra senão em seus braços?

Não foi Ela que nos deu a Eucaristia? Foi o seu consentimento à Encarnação do Verbo no seu seio que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união conosco que Jesus realizou durante sua vida mortal e continua agora no Santíssimo Sacramento.

Sem Maria não poderíamos ir a Jesus, porque Ela O possui em seu coração: aí encontra Ele as suas delícias, e todos que quiserem conhecer as virtudes íntimas de Jesus, seu amor recôndito e privilegiado, devem procurá-los no Coração de Maria; os que amam esta boa Mãe encontram Jesus em seu coração tão puro.

Oh! jamais separemos Jesus de Maria; não poderíamos ir a Ele sem passar por Ela. Ouso mesmo afirmar que quanto mais amarmos a Eucaristia, tanto maior será nosso amor para com a Santíssima Virgem; amamos tudo quanto ama um nosso amigo; ora, existe por ventura uma criatura mais amada de Deus, mãe que tenha sido mais ternamente querida por seu filho do que foi Maria por Jesus?

Oh! sim, Nosso Senhor teria grande pesar se nós, servos de sua Eucaristia, não honrássemos deveras a Maria, porque Ela é sua Mãe; Nosso Senhor tudo lhe deve na ordem de sua Encarnação e de sua natureza humana; foi pela carne que d'Ela recebeu que Ele tanto glorificou a seu Pai, que nos salvou e que continua a alimentar e salvar o mundo no Santíssimo Sacramento.

Nosso Senhor quer que A honremos tanto mais agora quanto em sua vida mortal Ele pareceu ter se descuidado de fazer. Sem dúvida Ele A honrou em sua vida particular; porém, em público, deixou-A na sombra; antes de tudo tinha que afirmar e sustentar a sua dignidade de Filho de Deus.

Mas hoje Nosso Senhor quer que de algum modo indenizemos à Santíssima Virgem de tudo quanto Ele não pôde fazer exteriormente por Ela; e somos obrigados, no interesse de nossa salvação, a honrá-l'A como Mãe de Deus e como nossa própria Mãe.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A contemplação Eucarística de Maria




I. A Contemplação segue naturalmente a adoração e a ação de graças, alimentando-as e aperfeiçoando-as, ao mesmo tempo. A contemplação eucarística é o olhar que a alma fixa em Jesus Sacramentado para conhecer detalhadamente suas perfeições, admirar sua bondade na instituição da Eucaristia, estudar-lhe os motivos, examinar-lhe os sacrifícios, avaliar-lhe os dons e apreciar-lhe o amor.

O primeiro fruto da contemplação eucarística consiste em fixar e concentrar a alma em Nosso Senhor, descobrindo-lhe o mistério de suas perfeições e o amor que se encerra no dom inefável da Eucaristia; este olhar refletido e prolongado sobre o amor excessivo de Jesus, ao preparar, instituir e perpetuar o adorável Sacramento, desperta em nós, em primeiro lugar, a admiração, em seguida o louvor, e por fim a expansão do amor; a alma sai de si mesma para se unir e aderir ao objeto divino de sua contemplação. Daí resulta ser a contemplação a parte essencial da adoração; é seu foco.

II. Nossa Senhora diante da Eucaristia se absorvia numa contemplação que nenhuma língua humana ou angélica poderia exprimir, somente Jesus Cristo, que era seu objeto, conhecia-lhe o valor. Maria possuía o mais perfeito conhecimento do amor que Jesus demonstrara instituindo a Eucaristia; conhecia as lutas que tivera de sustentar com seu Coração e os sacrifícios que lhe custara a instituição desse Sacramento; lutas do amor divino contra a incredulidade e a indiferença da maioria dos homens; lutas da santidade contra a impiedade, as blasfêmias e os sacrilégios de que seria alvo a Eucaristia, não somente por parte dos hereges, mas também de seus próprios amigos; lutas de sua bondade contra a ingratidão dos cristãos negligentes em recebê-lo na Comunhão, recusando desse modo suas melhores graças e seus mais ternos convites. O amor de Jesus, porém, triunfou de todos esses obstáculos. "Apesar de tudo hei de amar os homens, e sua malícia não poderá desanimar nem vencer minha bondade!"

Maria acompanhara essas lutas, partilhara esses sacrifícios e fora testemunha da vitória; evocava essas lembranças em sua adoração, relembrava esses fatos ao Salvador, exaltando o amor que O fizera vencer.

III. Para apreciar o dom da Eucaristia, o adorador deve, a exemplo da Virgem Santíssima e em união com Ela, volver à sua origem, aos sacrifícios que custou ao amor de Nosso Senhor.   Se o amor é belo no Calvário, mostra-se ainda mais belo no Cenáculo e no Altar, pois aí é o amor perpetuamente imolado. A compreensão dessas lutas e dessa vitória fará ver ao adorador o que deve em compensação a um Deus tão bondoso. Então, com Maria, sua divina Mãe, se oferecerá de todo o coração a Jesus Eucarístico, a fim de bendizê-lO e agradecer tanto amor; consagrar-se-á a honrar os diversos estados de Jesus Sacramentado, praticando em sua vida as virtudes que o Divino Salvador aí exercita, glorificando-as de um modo admirável. O adorador honrará a profunda humildade do Salvador, que O leva até o aniquilamento total sob as santas espécies, honrará o sacrifício da sua própria glória e omnipotência, que O torna prisioneiro do homem; a obediência que faz d'Ele o servo de todos, tomando a Virgem Maria como a verdadeira Mãe da vida eucarística para ajudá-lo nesse estudo prático. Confiará em Maria, amando-A como a Mãe dos adoradores, que é o título mais caro ao seu coração e o mais glorioso para Jesus.