Bem vindo ao Apostolado Beata Imelda e Eucaristia!

A nossa intenção é a de divulgar a história da Bem-Aventurada Imelda Lambertini, dominicana, que faleceu aos 11 anos de idade logo após a sua Primeira Comunhão. O conteúdo do blog se restringirá apenas à meditações sobre a vida e exemplo da Beata Imelda Lambertini e também a postagens de textos e escritos dos mais diversos santos que tenham registrado documentos à respeito da Santa Missa e da Santíssima Eucaristia.

"Não sei como as pessoas não morrem de alegria ao receberem Nosso Senhor na Eucaristia!" (Beata Imelda Lambertini).

domingo, 14 de setembro de 2014

Os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia

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Uma reflexão a partir do roubo de uma hóstia consagrada por um grupo de satanistas

Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante.

Eu me lembrei do fato nos últimos dias em face das atuais notícias de que um culto satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma “missa negra”, a realizar-se neste mês de setembro. O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.

O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.

À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.
Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.
Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma hóstia metodista, ou episcopaliana, ou batista, ou luterana, etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).

De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharam exorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos minusvaloram esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.

Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.

Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada “ad orientem”, ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.

Naquele dia, eu pronunciei as veneráveis palavras da consagração em voz baixa, mas de modo claro e distinto: “Hoc est enim Corpus meum” [Este é o meu Corpo]. O sino tocou enquanto eu me ajoelhava.

Atrás de mim, no entanto, houve algum tipo de perturbação; uma agitação ou sons incongruentes vieram dos bancos da parte da frente da igreja, logo às minhas costas, um pouco mais para a minha direita. Em seguida, um gemido ou resmungo. “O que foi isso?”, perguntei a mim mesmo. Não pareciam sons humanos, mas grasnidos de algum animal de grande porte, como um javali ou um urso, junto com um gemido plangente que também não parecia humano. Eu elevei a hóstia e novamente me perguntei: “O que foi isso?”. Então, silêncio. Celebrando no antigo rito da missa em latim, eu não podia me virar facilmente para olhar. Mas ainda pensei: “O que foi isso?”.

Chegou a hora da consagração do cálice. Mais uma vez eu me curvei, pronunciando clara e distintamente, mas em voz baixa, as palavras da consagração: “Hic est enim calix sanguinis mei, novi et aeterni testamenti; mysterium fidei; qui pro vobis et pro multis effundetur em remissionem pecatorum. Haec quotiescumque feceritis in mei memoriam facietis” [Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, o mistério da fé, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados. Todas as vezes que fizerdes isso, fazei-o em memória de mim].

Então, ouvi mais um ruído, desta vez um inegável gemido e, logo em seguida, um grito de alguém que clamava: “Jesus, me deixe em paz! Por que me tortura?”. Houve de repente um barulho que lembrava uma briga e alguém correu para fora a um som de gemidos, como de quem tivesse sido ferido. As portas da igreja se abriram e em seguida fecharam. Depois, o silêncio.

Consciência – Eu não podia me virar para olhar porque estava levantando o cálice da consagração. Mas entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia e não tinha conseguido suportar a sua presença real, exibida perante todos. Ocorreram-me as palavras da escritura: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Arrependimento – Assim como Tiago usou aquelas palavras para repreender a fé fraca do seu rebanho, eu também tinha motivos para a contrição. Por que, afinal, um pobre homem atormentado pelo demônio era mais consciente da presença real de Cristo na Eucaristia e ficava mais impactado com ela do que eu? Ele ficou impactado em sentido negativo e correu para longe. Mas por que eu não me impactava de forma positiva com a mesma intensidade? E quanto aos outros crentes, que estavam nos bancos? Eu não tenho dúvidas de que todos nós acreditávamos intelectualmente na presença eucarística. Mas há algo muito diferente e muito mais maravilhoso em nos deixarmos mover por ela na profundidade da nossa alma! Como é fácil bocejarmos na presença do Divino e nos esquecermos da presença milagrosa e inefável, disponível ali para todos nós!

Quero deixar registrado que, naquele dia, há quase quinze anos, ficou muito claro para mim que eu tinha nas minhas mãos o Senhor da Glória, o Rei dos Céus e da Terra, o Justo Juiz e o Rei dos reis da terra.
Será que Jesus está realmente presente na Eucaristia?
Até os demônios acreditam!

Fonte: http://www.bibliacatolica.com.br/

O incrível milagre eucarístico de Sokólka

Todos os dias, em todos os altares do mundo, dá-se o maior milagre possível: o da transformação do pão e do vinho no verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus Cristo. No entanto, ao recebermos a comunhão, podemos tocá-lO apenas pela fé, pois aos nossos sentidos é oferecida apenas a forma do pão e do vinho fisicamente inalteradas pela consagração. O que é que, afinal, traz à nossa fé o acontecimento eucarístico de Sokólka?

Foi no domingo, 12 de Outubro de 2008, logo após a beatificação do servo de Deus Pe. Miguel Sopocko. Durante a Santa Missa iniciada na igreja paroquial de St. António de Sokólka às 8h30, durante a distribuição da Comunhão, caiu a um dos sacerdotes aos pés do altar uma Hóstia consagrada. O sacerdote interrompeu a distribuição da Comunhão, pegou nela e, de acordo com as normas litúrgicas, colocou-a no vasculum, um pequeno recipiente com água que se encontra normalmente ao lado do sacrário, servindo para o sacerdote lavar os dedos após a distribuição da Comunhão. A Hóstia deveria dissolver-se nesse recipiente.

No fim da Missa, a irmã Júlia Dubowska, sacristã da Congregação das Irmãs Eucarísticas, em serviço na paróquia, tendo a consciência de que a Hóstia consagrada levaria algum tempo a dissolver-se, a pedido do Pe. Stanislaw Gniedziejko, pároco da paróquia, despejou o conteúdo do vasculum noutro recipiente e colocou-o no cofre que se encontra na sacristia da paróquia. Só a Irmã e o Pároco tinham as chaves do cofre.

Ao fim de uma semana, no dia 19 de Outubro, Domingo das missões, a irmã Júlia – questionada pelo pároco sobre o estado da Hóstia – foi ver o cofre. Ao abrir a porta, sentiu um aroma delicado a pão ázimo. Quando abriu o recipiente, viu a água limpa com a Hóstia a dissolver-se e no meio desta uma mancha arqueada com uma cor vermelha intensa, lembrando um coágulo de sangue, com a forma de uma espécie de partícula viva de um corpo. A água permanecia incolor.

A Irmã informou imediatamente o Pároco, que veio logo com os sacerdotes locais e o missionário Pe. Ryszard Górowski. Todos ficaram surpreendidos e atónitos com o que viram.

Mantiveram discrição e prudência, não esquecendo o peso do acontecimento, pois tratava-se de Pão consagrado que, pelo poder das palavras de Cristo no Cenáculo, é verdadeiramente o Seu Corpo. Do ponto de vista humano, foi difícil definir se a forma alterada do fragmento da Hóstia é o resultado de uma reacção orgânica, química ou de outro tipo de acção.

Imediatamente notificaram do sucedido o Arcebispo Metropolitano de Bialystok, Edward Ozorowski, que se dirigiu a Sokólka juntamente com o chanceler da cúria, os sacerdotes prelados e catedráticos. Todos ficaram profundamente comovidos com o que viram. O Arcebispo mandou proteger a Hóstia, esperar e observar o que iria acontecer.

No dia 29 de Outubro, o recipiente com a Hóstia foi transportado para a capela da Misericórdia Divina na casa paroquial e colocado no sacrário. No dia seguinte, por decisão do Arcebispo, retirou-se a Hóstia com a mancha visível da água, colocou-se num pequeno corporal e em seguida no sacrário. Deste modo se conservou a Hóstia durante três anos, até ter sido solenemente levada para a igreja, no dia 2 de Outubro de 2011. Durante o primeiro ano foi guardada em segredo. Foi um tempo de reflexão sobre o que fazer, pois tratava-se de um sinal de Deus que era necessário interpretar.

Até meados de Janeiro de 2009, o fragmento da Hóstia alterada secou de forma natural e permaneceu como coágulo de sangue. Desde essa altura não mudou de aparência.

Em Janeiro de 2009, o Arcebispo ordenou que se fizessem análises pato-morfológicas à Hóstia e a 30 de Março desse ano criou uma comissão eclesial para analisar o fenómeno.
O fragmento da Hóstia em forma alterada recolhido foi analisado pela Prof. Dr.ª Maria Sobaniec-Lotowska e pelo Prof. Dr. Stanislaw Sulkowski – de forma independente um do outro, com vista a uma maior credibilidade dos resultados, – pato-morfologistas da Universidade de Medicina de Bialystok. As análises foram realizadas no Instituto de Pato-morfologia dessa universidade. O trabalho de ambos os especialistas foi regido pelas normas e obrigações dos cientistas para analisar cada problema científico de acordo com as directrizes do Comité de Ética da Ciência da Academia das Ciências Polacas. As análises foram descritas e fotografadas exaustivamente. A documentação completa foi entregue à Curia Metropolitana de Bialystok.

Quando foram recolhidas as amostras para análise, a parte não dissolvida da Hóstia consagrada estava já embebida no tecido. Porém, a estrutura de sangue acastanhado do fragmento da Hóstia não perdeu nada da sua clareza. Este fragmento estava seco e frágil, intimamente ligado à restante parte da Hóstia em forma de pão. A amostra recolhida foi o suficiente para realizar todas as análises indispensáveis.

Os resultados de ambas as análises independentes sobrepuseram-se completamente. Concluíram que a estrutura do fragmento da Hóstia analisado é idêntica a tecido do músculo do coração de uma pessoa viva, mas em estado de agonia. A estrutura da fibra do músculo do coração e a estrutura do pão estavam interligadas de forma muito estreita, de forma impossível de realizar por ingerência humana (vide declaração da Prof. M. Sobaniec-Lotowska na reportagem “O Milagre Eucarístico de Sokólka”, Lux Veritatis 2010).

As análises realizadas provaram que não foi adicionada nenhuma outra substância à Hóstia consagrada, mas que o seu fragmento tomou a forma de tecido do músculo do coração de uma pessoa em estado de agonia. Este tipo de fenómeno não é explicável pelas ciências naturais, sendo que os ensinamentos da Igreja nos dizem que a Hóstia entregue para análise é o Corpo do próprio Cristo pelo poder das Suas próprias palavras proferidas durante a Última Ceia.

O resultado das análises pato-morfológicas datadas de 21 de Janeiro de 2009 foram incluídas no protocolo entregue na Cúria Metropolitana de Bialystok.


Para concluir, no comunicado oficial que emitiu, a Cúria Metropolitana de Bialystok afirmou o seguinte: «O acontecimento de Sokolka não se opõe à fé da Igreja, antes pelo contrário, confirma-a. A Igreja professa que, após as palavras da consagração, pelo poder do Espírito Santo, o pão se transforma no Corpo de Cristo e o vinho no Seu Sangue. Para além disso, trata-se de um chamamento para que os ministros da Eucaristia distribuam o Corpo do Senhor com fé e cuidado e que os fiéis O recebam com adoração.»

in sokolka.archibial.pl

Fonte: Senza Pagare
Retirado do blog: anjosdeadoracao.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - O Dileto


QUEM O chamou assim não foi um simples mortal, mas o próprio eterno Deus, quando Jesus se humilhava sobre as margens do Jordão e se transfigurava nos cimos do Tabor. E eu ouço ainda agora essa voz divina, que me diz: Este é o meu Filho dileto em quem pus todas as minhas complacências. Como, pois, deve ser belo Jesus! Que beleza na sua inteligência! Que beleza na sua vontade! Que beleza mesmo no seu corpo!... E eu vou procurando belezas terrenas... E deixo-me distrair e enganar... Mas se tenho aqui no Tabernáculo Aquele que eu procuro, Aquele que pode saciar a minha fome de beleza, Aquele que me pode contentar... Porque ando divagando pelas criaturas? Às vezes julgo ser ainda alguma coisa sobre a terra, mas agora vejo realmente que sou uma louca.
Como devem ser belos os sorrisos de Deus quando contempla a Jesus! Como deve estar em festa todo o paraíso quando vê a beleza de Jesus! E ao passo que Deus e o paraíso contemplam extáticos a Hóstia, eu quase me aborreço e espero o momento de me ir embora... É verdade que os meus olhos não vêem nada desta beleza; mas a minha fé não verá também nada? Ah! Esta minha pobre fé como deve estar adormentada!
Jesus agrada tanto a seu Pai, e a mim agrada-me tão pouco! Como explicar este absurdo? É preciso confessar que o meu paladar está completamente pervertido e que também eu amo mais as cebolas do Egito que o maná do deserto; e afinal se alguma doçura verdadeira há neste mundo é no maná eucarístico e não em outra parte...
Ora, esta falsidade e perversão de gosto não virão porventura de eu ter um conhecimento muito imperfeito acerca da Eucaristia?
Portanto, irei à escola do Tabernáculo, ouvirei as lições do Mestre e conservarei no coração as suas palavras de vida eterna... Mas, a propósito de coração: não seria melhor pedir ao próprio Jesus que desça ao meu coração e estabeleça nele a sua cátedra de verdade? E uma vez que o tenha no meu coração, não seria bom fazer Ele uma troca: que depois de se demorar um pouco no meu, vá eu habitar o seu coração? Não é talvez lá que se aprendem tantas coisas divinas? Não é lá que os gostos se apuram e se tornam santos?... De resto, uma vez que Jesus esteja no meu coração e eu esteja no d'Ele, não gozarei também eu um pouco das complacências divinas? Daquela bela palavra, Este é o meu Filho diletonão me tocará também um pouco a mim?
Ser eu a dileta do Eterno! E porque não? Uma vez que eu seja uma só coisa com Jesus, que o seu Sangue corra pelas minhas veias, que o seu Corpo se confunda com o meu, que a sua Alma esteja unida à minha, que a sua divindade penetre todo o meu ser, uma vez que Jesus esteja contente de estar comigo, porque não hei de ser eu também a dileta de Deus?
Amanhã de manhã farei a Comunhão o melhor que puder; e quando Jesus descer ao meu coração, voarei com o pensamento até o Céu, prostrar-me-ei diante do trono de Deus, lançar-lhe-ei um olhar sorridente de amor, e perguntar-lhe-ei: Ó grande Deus, estás contente comigo? Agrado-te agora? E com a maior atenção esperarei a resposta que Ele me há de dar.

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/

terça-feira, 15 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - Ao Anoitecer


MUITAS vezes eu procuro alguma coisa que possa oferecer a Jesus e lhe dê consolação, mas apesar da minha boa vontade quase nada encontro; é por isso que, chegando à noitinha, me dirijo a Ele para obsequiá-lo com algum presentinho, mas vejo-me com as mãos cheias de... Pobreza.
Ofereço-lhe as orações feitas, mas se as examino um pouco, vejo que elas foram mais um amontoado de palavras distraídas que uma coroa de afetos ardentes. E se as comparo com aquelas que Ele faz sem cessar no Tabernáculo? Se as confronto mesmo com aquelas tantas inspirações que Ele me segreda ao coração durante o dia? Verdadeiramente é preciso ter coragem para se lhe oferecer de presente uma série de palavras sem correção... E, contudo, sei que Jesus não se descontenta mesmo com este pouco... É tão bom o meu Jesus!
Quando, porém, sofri alguma coisa por Ele, ao anoitecer vou encontrá-lo de melhor vontade, porque sei que o sofrimento lhe é mais caro do que toda a oração; e falo-lhe das penas do meu coração, das angústias da minha mente, das violências suportadas pelo amor próprio, dos incômodos que aqui e acolá sofreu o meu corpo, dos desprazeres que procurei com a extravagância do meu caráter e dos que me foram presenteados pelo capricho e temperamento dos outros, e digo-lho... Digo-lhe uma infinidade de coisas na ingênua persuasão de merecer-lhe um louvor e uma bênção. Mas Jesus bem depressa abate a minha presunção e a minha soberbazinha... Basta recordar-me a sua Paixão e Morte; e então, adeus complacência! Compreendo, então, que os meus sofrimentos, em confronto com os seus, não passam dum brinquedo de criança! Mas, se não tenho coisa melhor, não lhe hei de oferecer nada?
Como Jesus é bom! Ele toma os meus sofrimentos minúsculos, avizinha-os dos seus, e ei-los tornados grandes. Toma as minhas penas de espírito c lança-as no abismo das suas; toma os meus sofrimentos físicos e põe-nos em contato com os seus espinhos, com os seus cravos, com as suas feridas, com a sua cruz; orvalha-os com um pouco do seu sangue; e estes aproximamentos e contatos operam o prodígio de transformá-los em sofrimentos seus, e deles alcançam o mesmo mérito... Oh, como nos tornamos bem depressa ricos unindo-nos a Jesus!
O mal está em que, certas vezes, não me recordo de fazer a Jesus os meus presentinhos. Àquele pouco que fiz ou sofri, inutilizei-o todo com as complacências do amor próprio, quer nutrindo despeitos por certas críticas imerecidas, quer saboreando a doçura de certos elogios... E então, depois de ter inutilizado tudo, se venho a recordar-me de Jesus, parece-me vê-lo sério, muito sério em atitude de perguntar-me: então são estes os presentinhos que me fazes?
Sou sempre uma pobre criatura! Digo sempre que hei de corrigir-me e não me corrijo nunca! Durante dois ou três dias vou menos mal, mas depois volto ao princípio... Porém, consola-me um pensamento: e é que a boa vontade não me falta; serei um pouco fraca de cabeça, mas o coração,esse, graças a Deus não o tenho mau: e quando se tem boa vontade, apresentando-se a gente a Jesus, como faziam os leprosos, fazendo-se-lhe a exposição de toda a sorte de misérias e pedindo-se-lhe a cura, Ele, agora como então, deixa-se comover e faz a graça.
Se não fora este pensamento, quem ousaria ainda apresentar-se a Ele?

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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - Contradições

 

DIGO muitas vezes que quero amar a Jesus, e realmente quero amá-lo; sei que o amor conduz necessariamente à imitação, e que não pode amar-se a Jesus sem imitá-lo; mas, se se trata de eu sofrer um pouco por seu amor tornando-me deste modo semelhante a Ele, logo a coragem me falta e o desânimo se apodera de mim.
Digo que o amo, mas se o sofrimento me assalta vou logo ter com Ele e peço-lhe que me alivie. Afigura-se-me ver a Jesus mostrando-me o coração todo inflamado em chamas de caridade, e peço-lhe... Peço-lhe que tenha compaixão de mim.
Eis a contradição! Tenho uma ferida no coração, e em vez de sofrê-la resignadamente por seu amor, peço-lhe que ma cure... Não reparando que Ele tem uma mais profunda que a minha.
Tenho espinhos agudos que me envolvem a alma e me fazem sofrer um martírio; mas em vez de sofrer-lhes a punção por seu amor, peço-lhe que mos arranque para sempre... não pensando que os espinhos que cercam o seu coração são bem mais agudos e cruéis que os meus.
Tenho também eu que levar uma cruz, uma cruz que me parece tão pesada!... Mas em vez de levá-la com coragem pelo caminho do meu calvário, peço-lhe com insistência quotidiana que me alivie, que me livre desse peso... E peço isto a Ele que tem uma cruz plantada no meio do coração, cruz que não tem semelhança em toda a série das dores humanas.
Jesus é tão bom que, para tornar-me semelhante a Ele e proporcionar-me o seu amor, faz-me participante dos sofrimentos do seu coração... E eu, eu que pretendo amá-lo, ouso desejar e pedir-lhe que Ele mesmo destrua em mim o traço de maior semelhança que tenho com Ele... E pensar eu que toda a minha devoção ao Sagrado Coração consiste quase inteiramente neste desejar as suas delícias e ser isento das minhas penas!
Agora compreendo a razão por que Jesus me não ouve; é porque me quer maior bem que o que merecem as minhas orações; é porque, se eu não sofro um pouco, em quase mais nada me torno semelhante a Ele.
Portanto, terei bem fixa diante dos olhos a imagem do Sagrado Coração de Jesus... aquelas feridas... aqueles espinhos... aquela cruz... e, de futuro, serei mais cautelosa em pedir-lhe que me alivie das minhas dores.
Antes deveria pedir-lhe que me desse um pouco, não mais que um pouco, das suas penas... Mas devo confessá-lo para minha confusão, sinto que me falta a coragem. Contudo quantas almas fervorosas há que todos os dias pedem a Jesus as torne participantes da sua Paixão? Quanto mais penso nisto, mais me sinto humilhada. É possível que eu, com esta estima que tenho de mim, não tenha a coragem de pedir um, ao menos um, dos espinhos da sua coroa?
Que lugar me compete, pois, entre o número das almas devotas do Sagrado Coração? Poderei dizer que ocupo ao menos o último lugar?


Ó Jesus, tu bem o sabes: eu não ouso perguntar-te se sou uma alma afeiçoada ao teu Coração... tenho medo duma resposta desanimadora. Mas, vejas em mim o que vires, seja qual for o grau de imperfeição a que tenha descido, peço-te que tenhas de mim piedade. Eu encontro-me sem coragem, sem energia, porque me falta o verdadeiro amor... O sofrimento repugna-me, causa-me horror; não ouso já prometer-te coisa alguma,

quase não ouso sequer dirigir-te uma súplica... Porém estou aqui diante de Ti: Tu amas-me, queres santificar-me, queres salvar-me... Portanto não olhes à minha pusilanimidade e à fraqueza do meu coração: prossegue a obra do teu amor sobre mim, faze de mim o que quiseres, contanto que me faças santa... Contanto que eu vá para o Paraíso.

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/

terça-feira, 8 de julho de 2014

Centelhas Eucarísticas - O Crucifixo


PONHO nele muitas vezes os meus olhos; beijo-o, de manhã, apenas desperto; beijo-o à noite antes de adormecer, e durante o dia... quantas vezes... mas Jesus não está todo aqui. Aqui está a figura, um pouco mais longe a realidade; aqui Jesus sem palavra, além com as suas palavras de vida eterna; aqui vejo-O morto, acolá encontro-O vivo; aqui o Calvário, além o Cenáculo.

Olho para o meu crucifixo, mas parece-me que Jesus do Tabernáculo o olha mais do que eu; parece-me que me está convidando para eu fixar toda a minha atenção, para eu aprender a recordar sempre que o Jesus da Hóstia é o mesmo que um dia foi o Jesus da Cruz.
Mas, és realmente tu, ó meu sacramentado Senhor, que um dia morreste sobre esta cruz, e duma maneira tão bárbara? Estes cravos atravessaram realmente as tuas mãos? Estes espinhos estiveram realmente em volta da tua fronte? E o teu Coração, aquele coração tão doce, tão belo... Foi realmente alanceado desta maneira? E foi sobre estas carnes que realmente se desencadeou uma furiosa saraivada de flagelos? E, por único conforto, deram-te o fel, a mirra e uma tempestade de blasfêmias? És, pois, tu, mesmo tu, este Jesus que eu vejo aqui cinzelado... O Jesus morto sobre o Calvário? E quem foi esse bárbaro assassino?... Meu Deus! Que pergunta! Eu próprio fui o carnífice, e Jesus, o próprio Jesus foi a vítima... o delito foi perpetrado lá... a vítima está aqui, no Tabernáculo... E qual é a vingança?... A vingança? Ei-la aqui: a Santa Comunhão!
Depois de tantos maus tratos, Tu me vens ainda a visitar, a estar comigo, a dares-te a mim? Mas onde aprendeste um tal modo de punir os teus crucifixores? Eu coroei-te de espinhos, e tu dás-me o direito de cingir o diadema e de reinar contigo? Eu esbofeteei-te, e tu fazes-me certas carícias à minha alma, que me sabem a paraíso? Eu vesti-te de louco, e tu vestes-me com a tua graça? Eu flagelei horrivelmente as tuas carnes, e tu, depois de as tomares imortais e gloriosas, dás-mas em mantimento? Eu derramei todo o teu sangue, e tu ofereces-mo em bebida? Eu alanceei o teu Coração, a parte mais nobre da tua humanidade, e tu ofereces-mo como o teu dom mais precioso?... Mas se eu te tivesse amado como um serafim, poderias tu ser mais liberal para comigo?... Ó Santa Eucaristia, tu és realmente um mistério! E o que mais me confunde a razão, é que Jesus tenha amado tanto uma criatura tão má como eu sou.
Este Crucifixo, esta imagem fria e muda do meu Jesus, deve, sem dúvida, fazer ouvir uma linguagem misteriosa e potente... Os santos olhavam-no, choravam, eram arrebatados em êxtases... Ficavam horas inteiras, dias inteiros a contemplá-lo, liam nele coisas sempre novas... E não é senão uma figura. Eu estou diante da Hóstia e, momentos após, sinto-me cansada! Rezo um pouco, e já não posso dizer mais nada! Recebo-a, e uma hora depois já estou esquecida de tê-la recebido... E não é uma figura, mas a realidade, a grande realidade de Jesus! Que distância entre mim e os santos!
Mas, ou santa ou pecadora, hei de querer sempre bem ao meu Crucifixo, e a Hóstia hei de considerá-la sempre como coisa minha. Estudarei o Crucifixo para conhecer sempre melhor a Hóstia, e estudarei a Hóstia para conhecer sempre melhor o Crucifixo. O Crucifixo me recordará sobretudo que eu tenho sido a pior das almas, e a Hóstia me recordará que Jesus me tem amado como se eu tivesse sido sempre uma santa. O Crucifixo me fará arrepender dos pecados, a Hóstia me fará amar a Jesus.
Amar a Jesus, que bela coisa! Mas eu amarei a Jesus também crucificado; somente que, crucificado, o amarei com as lágrimas nos olhos, e na Hóstia o amarei com o sorriso nos lábios; crucificado o amarei gemendo, na Hóstia o amarei cantando... E continuarei a amá-lo sempre, enquanto tiver um fio de vida. E depois?...
Depois... O Crucifixo sobre o peito, a Hóstia no coração... Que me restará senão morrer e voar para o Céu?

Retirado do blog: http://almasdevotas.blogspot.com.br/