Bem vindo ao Apostolado Beata Imelda e Eucaristia!

A nossa intenção é a de divulgar a história da Bem-Aventurada Imelda Lambertini, dominicana, que faleceu aos 11 anos de idade logo após a sua Primeira Comunhão. O conteúdo do blog se restringirá apenas à meditações sobre a vida e exemplo da Beata Imelda Lambertini e também a postagens de textos e escritos dos mais diversos santos que tenham registrado documentos à respeito da Santa Missa e da Santíssima Eucaristia.

"Não sei como as pessoas não morrem de alegria ao receberem Nosso Senhor na Eucaristia!" (Beata Imelda Lambertini).

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Matéria e forma do Sacramento da Eucaristia



Qual é a matéria do Sacramento da Eucaristia?

Pão de trigo e vinho de uva (LXXIV, 1, 2).

Que sucede na matéria, no momento de consagrar?

Que a substância do pão deixa de ser pão e a do vinho deixa de ser vinho (LXXIV, 2).

Em que se convertem as substâncias do pão e do vinho?

A do pão no corpo de Jesus Cristo e a do vinho no seu sangue (LXXV, 3, 4).

Que nome tem esta conversão ou troca?

O de Transubstanciação (LXXV, 4).

Que expressa a palavra transubstanciação?

A conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue.

Quem é capaz de efetuar tão estupenda transformação?

Só a Onipotência divina (Ibid).

Converte-se no corpo e sangue de Cristo somente a substância, ou tudo o que existe no pão e no vinho?

Somente a substância, permanecendo sem alteração os acidentes (LXXV, 2 ad 3).

Que entendeis, quando afirmais que permanecem os acidentes?

Que continuam, no mesmo estado, a extensão ou quantidade, a figura, a cor, o gosto, resistência e mais propriedades ou entidades sensíveis, por meio das quais viemos ao conhecimento do pão e vinho, antes da consagração.

Por que não se transformam também os acidentes?

Porque são necessários para manter e assegurar a presença sacramental de Jesus Cristo (Summa contra gentes, livro IV cap. LXIII)

Que aconteceria, se os acidentes se transformassem em corpo e sangue de Cristo?

Que o que foi pão e vinho desapareceria absoluta e totalmente (Ibid).

Que se segue, pelo contrário, com a permanência das espécies sacramentais?

Que, ligados a elas, mediante as suas respectivas substâncias, estão o corpo e sangue de Cristo, do mesmo modo como o estavam as substâncias do pão e vinho, de sorte que, assim como antes da transubstanciação, ao tocar os acidentes, tínhamos nas mãos as substâncias do pão e do vinho, temos, depois da transubstanciação, o corpo e o sangue de Cristo (Ibid).

O que há sob as espécies depois da consagração é, identicamente, o mesmo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Sim, Senhor (LXXV, 1).

Acha-se Jesus Cristo inteiro e completo no sacramento da Eucaristia?

Sim, Senhor; porque, se bem que sob as espécies do pão, em virtude das palavras sacramentais, só está o corpo e sob as do vinho o sangue, por concomitância, e já porque é impossível separar, na sua humanidade, os dois elementos, como foram separados na cruz, onde quer que esteja o corpo, ali está o sangue e a alma, e, onde se ache o sangue, o acompanham a alma e o corpo. Quanto à divindade não há dificuldades, pois, nunca, nem mesmo durante a morte do Redentor, se separou a pessoa divina da cada um dos componentes de sua humanidade (LXXVI, 1, 3).

Está Jesus Cristo inteiro em cada parte das espécies sacramentais?

Enquanto as espécies permanecem indivisas está completo em todo o Sacramento, e quando se fracionam, está tantas vezes inteiro e completo, quantas partes se hajam feito (LXXVI, 3).

É possível ver, tocar, ou de algum modo chegar ao corpo de Jesus Cristo no estado sacramental?

Não, Senhor; porque aquelas espécies acessórias aos nossos sentidos, não são acidentes do corpo de Cristo, único meio de chegar à sua substância (LXXV, 4-8).

Que se deduz desta verdade?

Que as espécies sacramentais o encerram como prisioneiro, e por sua vez o protegem, de sorte que, quando algum desalmado intente enfurecer-se contra o corpo de Cristo, só consegue profanar o Sacramento.

São inalteráveis as espécies sacramentais depois da consagração?

Não, Senhor; decompõem-se e transformam-se depois de poucos momentos de ingeridas como alimento, e também se corrompem abandonadas por muito tempo à ação dos agentes atmosféricos (LXXVII, 4).

Que sucede quando as espécies deixam de ser os acidentes do pão e do vinho, consagrados?

Que no mesmo instante cessa a presença eucarística de Jesus Cristo, pelo fato de desaparecer o motivo que o retinha enlaçado aos acidentes, e, mediante os acidentes, ao lugar por eles ocupado (LXXVI, 6 ad 3).

Logo, a presença eucarística de Jesus Cristo num lugar depende exclusivamente da consagração e da permanência dos mesmos acidentes do pão e do vinho consagrados?

Sim, Senhor; visto que a razão de tal presença, não podem ser as mudanças operadas no corpo impassível de Cristo, mas no pão e no vinho (Ibid).

Como se consagra?

Pronunciando com as devidas condições, a forma da Consagração (LXXVIII).

Qual é?

Para consagrar o pão: Isto é o meu corpo. Para consagrar o vinho: Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue do novo e eterno testamento, que por vós e por muitos será derramado em remissão dos pecados.

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Retirado do excelente blog:  osegredodorosario.blogspot.com.br
PEGUES, Tomaz, O. P. A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de catecismo: para uso de todos os fiéis. Taubaté: Editora SCJ, 1942, p. 219-221.

domingo, 15 de junho de 2014

Profanadores do Santíssimo castigados (ano de 362)


Optato de Milevi


Cartago, África.

A Justiça de Deus nem sempre castiga o homem no mesmo momento em que comete um crime, mas muitas vezes a infinita Misericórdia parece sair ao seu encontro para desarmar e deter, ao menos por algum tempo, seu braço erguido, a fim de que o delinquente se arrependa de sua culpa, consiga o perdão e se salve.

Não obstante, para tirar do coração humano a temerária confiança na bondade de Deus e fazer com que sempre deteste o pecado, registram os documentos da história inúmeros casos de terríveis castigos justamente merecidos por crimes nefandos.

Santo Optato, Bispo de Mileva na Numídia, relata que em Cartago, quando começou o cisma dos donatistas, movidos estes pelo ódio que professavam à Igreja Católica, cometeram muitos desmandos, ferindo os sentimentos religiosos dos que se mantinham fiéis aos ensinamentos e às doutrinas da verdadeira Igreja de Cristo.

Chegou a tal extremo as perfídia dos hereges, que se uniram a uma chusma de gente disposta ao crime, e formando um grupo numeroso com horrível desenfreio se entregaram à pilhagem, saqueando quantas igrejas podiam, com grande sentimento da população.

Numa das igrejas, tiveram a ousadia de profanar e roubar os Vasos Sagrados, e não sabendo o que fazer com as Hóstias consagradas que neles continham, as lançaram com diabólico cinismo aos cães da rua paras que as comessem. Mas - justo castigo de Deus! - no mesmo instante os cães se tornaram raivosos e com espantoso furor se lançaram contra os iníquos profanadores e os despedaçam, vingando desta forma a injúria feita ao Santíssimo Sacramento.



(Santo Optato, Cisma dos Donatistas - Baronius, Annales Ecclesiastici, tomo 4, p.101)

sábado, 14 de junho de 2014

O Pão dos hereges


Ano 400 - Constantinopla

São João Crisóstomo, Bispo e Confessor da Igreja, esclarecido luminar de seu século, foi chamado "Crisóstomo" devido às torrentes de sagrada eloquência que fluíam de seus lábios; e foi também chamado "martelo da heresia", devido à eficácia e vigor de sua argumentação em defesa da Fé católica.

Conseguiu, com sua pregação, converter inúmeros hereges macedônios. O Senhor permitiu que acontecesse um fato maravilhoso com uma mulher que se obstinava em permanecer filiada aos sectários, e tal feito determinou por fim sua perfeita conversão. As verdades católicas expostas por Crisóstomo mostravam-se tão evidentes ao marido dessa mulher, que lhe pareceu que não deveria tolerar por mais tempo que sua esposa professasse os perniciosos erros da heresia.

Procurava persuadi-la a renunciar a eles e abraçar a verdadeira Fé católica, mas nenhum fruto tirava de seus conselhos nem de suas longas discussões, porque era grande a tenacidade com que ela aceitava as opiniões heréticas.

Afinal, esgotados todos os meios de conduzi-la ao bom caminho, ameaçou separar-se dela se não acedesse aos seus desejos, seguindo o bom exemplo que lhe tinha dado.

A mulher, para obedecer ao marido na aparência, mas perseverando na sua obstinação, lhe disse que faria o que mandava; mas, combinando antes com uma criada sua, foi a um templo de hereges e, tomando o pão falsamento consagrada que davam a seus adeptos, deu-o à criada para que o guardasse; em seguida foi à igreja dos católicos com seu marido, para comungar e assegurar-lhe que já era católica, e recebendo a Sagrada Hóstia, fingindo que se inclinava para orar, deu-a à criada que estava ao seu lado, e tomou dela o pão recebido dos hereges, o qual imediatamente de transformou em pedra.

A desventurada mulher atônita e fora de si, procurou São João Crisóstomo para narrar-lhe o que lhe tinha acontecido, e ele a converteu à Fé católica e publicou o milagre, conservando-se em Constantinopla, para perpétua memória, aquela pedra em que o pão dos hereges havia se convertido.



(Sozomeno, Vida de San Juan Crisóstomo, liv. 8, cap. 5 - Baronius, Annales Ecclesiastici, t.5, p. 126)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Imelda Lambertini

Imelda nasceu em Bolonha em torno de 1320. No entanto, ela entrou para um convento dominicano da cidade. Olhando para a frente para receber Jesus na Eucaristia, em seu coração, mesmo que ele ainda não tinha atingido a idade prescrita pediu a todos para cumpri-la e tentou merecer este grande presente com a bondade da vida.
O próprio Jesus, milagrosamente, da Comunhão e recebeu o coração de Imelda não pude resistir a grande alegria. Era 12 de maio 1333.Per seu grande desejo de Jesus na Eucaristia é considerado o santo padroeiro das crianças que recebem pela primeira vez.
 SOME "da história ...
Riavutesi ... pelo espanto ao ver o milagre, as Irmãs Dominicanas de Valdipietra pensado para dar o corpo do noviço um enterro decente. E colocá-lo em um túmulo de mármore, decorado com quatro colunas, internados em um nicho perto da porta da igreja, em um canto do claustro.Uma inscrição na linguagem corrente, explicou: " Milagre de uma jovem, feita no mosteiro de S. Maria Madalena, que foi o ano de 1333 em Bolonha, que foi chamado a irmã Imelda e "Lambertini. Sendo jovem, não na era da comunicação, sendo que o jovem diante do altar, estava a Hóstia consagrada do Céu, e foi comunicada ao lado do sacerdote, e logo deu seu último suspiro, com a presença das irmãs e muitas outras pessoas, e foi sepultado em esta arca " .
As freiras, entrando e saindo da igreja, teve constantemente diante dos olhos de sua santa irmã. Querendo então comemorar anualmente o milagre, eles escreveram ou fizeram escrever em sua grande martirológio em pergaminho, nas margens do louvor dos santos Nereu e Aquiles 12 de maio, as seguintes palavras: " "A morte da Irmã Imelda Lambertini, que foi comunicada a hóstia sagrada desceu do céu, na presença de muitos " .


Rumo a pequena freira, que morreu também um santo, logo se transformou a devoção de suas irmãs e aqueles que freqüentava o mosteiro começou a invocar a fim de obter graças e favores. Irmã Imelda mostrou, com sua graciosa intercessão, para compartilhar na glória do céu.
Decorrer do tempo, foi composta em sua honra uma oração para que as irmãs estavam cantando no aniversário de sua morte.
Na igreja de S. externo Maria Madalena foi colocado um retrato da Santíssima, vestido como um novato Dominicana, com as mãos cruzadas sobre o peito, no ato da súplica adoração.
Dessas memórias por muitos anos alimentou o culto da Beata Imelda, que infelizmente estava fora de Bologna grande popularidade. Em 1582 houve a transferência solene das relíquias do Beato, a partir do que se tinha tornado a igreja de S. Joseph no mosteiro dominicano em via Galliera. Esta tradução, que ocorreu com o consentimento do Diocesano e intervenção, provas, tais como o culto do Lambertini já tinha feito grandes progressos (ver Thomas Centi, Beata Imelda Lambertini, Florença 1955).
Em 1826, o Papa Leão XII aprovou este culto ea partir daquele dia a devoção do povo cristão da Beata Imelda espalhou dramaticamente, impulsionada pelo crescente despertar da Eucaristia e as regras de previdência para a admissão de crianças para a Santa Mesa, emitido pelo Papa São Pio X.
Atualmente, a urna de B. Imelda é na igreja de S. Sigismund, no bairro da universidade de Bolonha.
 IMELDA ENSINA ...
Os jovens Imelda vive em uma era distante e rica em valores, que a sociedade italiana de cidades livres que se desenvolve nas famílias e nas pessoas uma forte capacidade de ser tão livre na vida. A sua é uma rica e bem fundamentada na fé.Imelda respira os problemas da sociedade e do mundo cristão sabe a resposta.
De acordo com o costume da época, ele foi logo colocado por seus pais em uma situação favorável para a educação integral, humana e cristã possível nos conventos da época. Imelda é escolhido para o mosteiro dominicano de Valdipietra, Bologna, out door Zaragoza.
No mosteiro, as irmãs passam o dia alimentando principalmente o tamanho do silêncio, de escuta, de oração e amizade. Na capela é honrado Presença eucarística.
Inserida neste ambiente, Imelda cresce no desejo de saber e conhecer aquele que é o modo de vida dos jovens e adultos com a qual agora compartilha seus dias. Percebe essa dimensão espiritual, você se deixem atrair por Jesus, por sua palavra, com a sua presença, para ser consumido pelo desejo pela Eucaristia.
A vida de Imelda pode ser visto como uma paráfrase do Salmo 63, que começa com estas palavras: " Ó Deus, tu és o meu Deus, por vós ' ". Seu espírito só é dirigida a Deus, o Senhor de sua vida.
O adolescente é capaz de buscar, desejar, é capaz de martírio por causa da fé, como nos dizem as histórias de Agnes, Agatha, Tarcisio, Lorenzo Ruiz, Kisito, Maria Goretti ... Os adolescentes que têm buscado a Deus desde o amanhecer, cheio sua existência de Deus, iluminando a história. E mesmo entre as crianças do nosso tempo estão faltando pequenos heróis.
Vem, minha alma tem sede ... como terra deserta . " A divisão da terra que levanta a água aqui é o sofrimento do desejo de que serão capazes de desfrutar, como o ecstasy, a irrupção de Deus
Então eu olhei para você no santuário ":
Imelda procura Deus na criação, no silêncio do coração e para a próxima dimensão sagrada, litúrgica, total, que do mistério eucarístico.
Para ver o seu poder e sua glória ": sua pequenez torna a não temer.
Para o seu amor é melhor do que a vida ': Imelda percebe a grandeza da vida divina como o valor máximo para nós.
Então eu vou te abençoe toda a minha vida, em teu nome levantarei as minhas mãos ": Deus faz a sua vida de adolescente feliz. Eu vou encher como com um banquete ': Imelda quer saciar a Deus na comunhão da Eucaristia. As leis litúrgicas proibi-lo na época, mas ela pede e espera que este dom do próprio Deus.
Na minha cama eu me lembro, eu acho que em ti nas vigílias da noite, eu canto de alegria à sombra das tuas asas ": a sua vida deu, completamente gasto reconhecer o Senhor, torna-se uma fonte de alegria, calma e satisfeito o seu coração .
se apega a você a minha alma ... ": é a união com Deus, que ele queria que Imelda como o bem maior.
Imelda realmente tem algo a dizer para adolescentes, jovens e adultos de hoje. Sua intuição e determinação têm muito a dizer para os pais, muitas vezes tentados a considerar seus filhos como eternas crianças.
Imelda tem algo a dizer, antes de tudo, no contexto da fé, mas também sobre a vida humana, que é capaz de desejar os dons de Deus, presentes que são cultivadas com a dor da espera.
Imelda tem uma grande mensagem para nós, revela-nos a capacidade de ir além da vida desta vida, na plenitude de alegria, porque na plenitude da presença e do amor.
(Editado por Irmã Gemma Bini OP)
Fonte: domenicaneimeldine.it

quarta-feira, 13 de março de 2013

Jesus Se deixou Sacramentado para ser nosso alimento


Duodécima Fineza de Jesus Sacramentado para com os homens
Jesus Se deixou Sacramentado para ser nosso alimento.


Não houve nem haverá semelhante na terra a infelicidade de Adão, nosso primeiro pai, quando ouviu da boca de Deus aquela terrível sentença, que o condenava a comer, por toda sua vida, seu pão com o suor do seu rosto. Ele dominava sobre todo o criado, entronizado em um Paraíso de delícias; enriquecido de dons maravilhosos; tinha por dote a liberdade, e por patrimônio a graça; os elementos o serviam, e lhe obedeciam os animais; não respirava o ar senão a seu favor; passeava a pé enxuto sobre os mares; do fogo lhe eram suaves os ardores; e toda a terra lhe tributava vassalagem. Mas, ah! Desgraça! Aquelas mãos, que pouco antes empunhavam o cetro de todo o mundo, se viram em um instante obrigadas a trabalhar com um arado a pouca terra, que talvez em lugar de pão lhe dava abrolhos.

Assim fez Deus para com Adão no Paraíso; porém não faz assim com os homens no Sacramento. E se não, dizei-me, que trabalho ou que fadiga nos custa o alimentar-nos d'Aquele Pão de vida? Que suores padecemos para comer a deliciosa Carne de Jesus? Onde, como diz o Ango das Escolas, se prova toda a doçura em sua fonte; porque nela recapitulou, melhor que no Maná, todos os sabores de Seu amor. Cheios estão os livros das divinas e humanas letras de muitas mulheres, que, para remédio da extrema fome que padeciam, comeram seus próprios filhos, nascidos de suas entranhas; mas não ouvimos que tenha havido mãe tão piedosa para com seu filho que, para livrá-lo da fome que padecia, o alimentasse com sua própria carne. Esta fineza ficou reservada somente para o amor infinito de Jesus, Que, vendo-nos padecer, deu-nos Seu próprio Corpo para nosso sustento.

Ó prodígio do amor Divino! Deus alimento do homem! É certo que o alimento se converte na substância de quem o recebe. A Divina natureza é totalmente inconvertível na humana. De sorte que, ainda que a d'Aquele homem Filho natural de Deus possa muito bem Se unir à natureza humana, não pode de modo algum converter-Se nela. Porém buscou Seu amor caminhos de fazer uma nova e engenhosa conversão. Fez alimento da Carne de Jesus, para que de modo possível, pareça que Sua natureza se transforma na nossa, e depois que O recebemos Sacramentado, possamos dizer-Lhe com Seu Profeta: Lembrai-Vos, Senhor, que sois minha sustância.

Em uma ocasião disse o mesmo Senhor a Seu favorecido Agostinho: Eu sou manjar de grandes, tu Me comerás, mas não Me mudarás em ti, antes bem tu te converterás em Mim. É isso o que pretende o amante Jesus Sacramentado: unir-Se de tal sorte conosco por alimento, que Se converta em nós, e nós nos transformemos n'Ele. O Grande Imperador Teodósio, quanto voltava da guerra, ainda com o sangue quente das batalhas, estreitava fortemente em seu peito o filho Honório, para transformá-lo, como ele dizia, em seus esforços marciais. Mas quanto melhor nos converte em Si o amoroso Jesus, quando, vertendo Sangue vivo de Suas veias, nos abraça estreitamente, e nos infunde Seu Espírito para fortificar-nos nesta vida, que também é milícia sobre a terra.
Falsas e fingidas foram aquelas promessas que o pai da mentira fez ao primeiro homem, de que seria como Deus se comesse daquele fruto que lhe fora proibido no Paraíso. Porém, se Adão tivesse provado d'Este Pão Deífico, d'Esta Carne Sacramentada de Jesus, bem poderia eu seguramente prometer-lhe que ficaria divinizado. Este é Aquele Pão ao Qual São Cirilo chama: Satus in Virgine, in Ecclesia fermentatus. Sabeis, diz esse grande Doutor, que Pão é Este? É o Pão semeado no Coração Virginal de Maria, fermentado na Igreja e amassado com o Sangue de Jesus.

Foi um aviso para os de Taranto, de mil calamidades que por quatro anos padeceram, sair sangue ao partir o pão que comiam. Mas perguntai a uma Teresa o que ela sentiu d'Este Divino Pão, quando, entrando-lhe na boca, a encheu do precioso Sangue de Jesus, Que a afogou em um mar de doçuras. Perguntai a uma Maria Ogniacense, filha do Grande Patriarca São Domingos, que sintomas morais eram aqueles que padecia apenas em chegar ao lábios o pão, que não estava consagrado; efeitos que não lhe causa o Divino Pão Eucarístico, pelo Qual unicamente anelava, e recebia com ardentíssimos afetos. Muitas experiências fizeram com ela os Sacerdotes, trocando a forma consagrada por outra não consagrada, e acharam que fosse perder a vida.

Concluamos dizendo que n'Este admirável Sacramento estão já decifrados os enigmas que não entenderam os convidados de Sansão; porque Este é o suavíssimo mel que se achou na boca do Leão. Este é o pão guardado pelo verdadeiro José para livrar da fome o Egito do mundo inteiro. Este é, finalmente, o pão no Qual o amor transformou a Carne de Jesus para ser nesta vida nosso único alimento.

(Finezas de Jesus Sacramentado para con los hombres, e ingratitudes de los hombres para con Jesus Sacramentado. Escrito en Toscano, y Portugués por el P. F. Juan Joseph de S. Teresa Carmelita Descalzo. y traducido en castellano por D. Iñigo Rosende presbitero. Con licencia. Barcelona: En la Imprenta de los Herederos de Maria Angela Marti, Plaza de S. Jayme, año 1775.)

Créditos ao excelente blog: http://gstomasdeaquino.blogspot.com.br/

domingo, 10 de março de 2013

Jesus Se deixou Sacramentado para ser obedientíssimo e pacientíssimo no mundo


Undécima Fineza de Jesus Sacramentado para com os homens
Jesus Se deixou Sacramentado para ser obedientíssimo e pacientíssimo no mundo.


Não encontrou o entendimento de São Paulo, ilustrado com o lume da glória, com que encarecer mais o infinito amor de Jesus, que dizendo que foi obediente até a morte. Mas, com a devida veneração a esse Mestre do mundo inteiro, diria eu quea obediência de Jesus passou ainda mais além da Sua morte. Porque, n'Este adorável Sacramento, vejo-O na terra e no Céu obedientíssimo às Suas criaturas. Se elas querem que esteja dias e noites presente à vista do mundo, não as contradiz; se O levam pelas ruas e praças públicas, não Lhe repugna; e se O encerram debaixo de uma chave, também o consente.

De um só homem sabemos que foi feito à medida do Coração de Deus; mas, seja-me lícito dizer, n'Este Sacramento está Deus feito à medida do coração dos homens, pois à vontade e arbítrio de todos está Seu Coração Sacramentado. Mas, se é tão maravilhosa esta obediência que Ele tem a suas criaturas na terra, qual será a que pratica com as mesmas no Céu? Ouvi o maior prodígio do Divino amor. Reside o Soberano Rei da Glória no Trono altíssimo de Sua Majestade, adorado pelas colunas do firmamento e obedecido pelas maiores potestades do Empíreo; e às primeiras quatro palavras com as quais O chama Seu Ministro, voa a pôr-Se em suas mãos com tão pronta obediência que no espaço de dezessete séculos nunca faltou, nem faltará daqui em diante nenhuma só vez.

Ouve o obedientíssimo Jesus a voz do Sacerdote no Céu, e não se interpõe um momento nem um instante entre a última sílaba de sua palavra e Sua real presença no Altar. Não O retarda o ter de sair do delicioso peito de Seu Eterno Pai, nem a suavíssima visão de Sua amorosa Mãe, nem as melífluas vozes com que na Glória O recreiam os Serafins. A língua, as palavras, as mãos de Seu Ministro O trazem sem falha do Céu à terra. Ó língua, ó palavras de infinito poder, que arrancais o Onipotente e trazes-te o Imenso.
Quem se admirará agora de ouvir que com um só de seus cabelos e com um de seus olhos trouxe a Esposa o Divino Amante a seu seio; nem que por um só cabelo levou um Anjo desde a Judeia até a Babilônia o Profeta para alimentar o mancebo Daniel, encerrado na Cova dos Leões. Pois agora vê: traz cada dia um homem, com poucas palavras, do Céu à terra, o próprio Deus, para saciar com Sua Carne um mundo inteiro! Ó prodígios nunca dantes ouvidos! Basta que o homem fale para que Deus lhe obedeça. Lá dizia Davi que falou Deus uma só vez, e o que fez? Gerou um Filho igual a Si mesmo em Grandeza e Majestade. Fala inúmeras vezes o Sacerdote, e que faz? Não me atreveria a dizê-lo, se a maior luz da Igreja, Santo Agostinho, não o tivesse dito: Qui creavit me sine me, creatur mediante me. Sabeis, diz Agostinho, o que eu faço com minhas palavras no Altar? Crio quantas vezes as pronuncio o Que me criou a mim: Qui creavit me dedit mihi creare se. Aquela Eterna Geração do Divino Verbo, em Cujas luzes não puderam fixar a vista, nem por um instante, os olhos de um Isaías, renovo eu a cada dia em minhas mãos com minha língua.

Não duvido em afirmar que é maior a obediência que Jesus tem no Sacramento à voz do homem, do que a que tiveram as criaturas em sua criação à voz de Deus; assim como é maior o poder de quem muda o pão em Deus, do que o d'Aquele que muda o nada em pão. Com uma só voz tirou Deus do caos do nada todo o universo, e não houve criatura que não obedecesse ao Seu império. Obedeceram os planetas, os céus, os mares, as aves e as plantas. Porém todas elas eram umas criaturas caducas e corruptíveis; de sorte que tudo quanto obedeceu à voz de Deus não foi, nem podia ser, outro Deus como Ele infinito e imortal. Mas foi tanto o amor de Deus para com o homem que lhe deu poder para produzi-l'O no Sacramento, de tal sorte que, se por impossível perecera a Sacrossanta Humanidade do Verbo Divino, bastariam as poderosas palavras da Consagração para reproduzi-l'A de novo nos Altares.

Foi e será sempre celebrada no mundo a obediência de Abraão à voz de Deus, e não havia aí mais do que sacrificar-Lhe seu filho unigênito. Comparai agora com essa a obediência de Jesus à voz de um homem: vir, baixar e pôr-Se em suas mãos, para ser Ele mesmo sacrificado. Atônitos ficaram os Discípulos do Redentor quando viram que a Seu império obedeciam os mares e as tempestades. Que diriam agora, vendo seu Divino Mestre tão obediente à voz de Sua criatura, que, abrindo a boca, abre os Céus e O faz descer à terra sobre uma Ara? Não pôde o Evangelista significar-nos mais altamente a obediência do Verbo Humanado do que dizendo que estava sujeito, no mundo, a uma Virgem Mãe Sua, a Qual, como Tal, era o mais perfeito e excelente parto que deu nem poderia dar à luz Sua eterna Sabedoria. Com que conceitos, pois, poderão as plumas evangélicas explicar a obediência do próprio Senhor Sacramentado a uma vil e miserável criatura? Mas, que diriam também, à vista de tão maravilhosa obediência, da contumácia das criaturas à voz de seu Criador, de tanta repugnância a Seus preceitos, de tanta obstinação em contradizer Sua lei, e não observar Seus conselhos? Mas passemos agora a ponderar a maior fineza de Jesus Sacramentado em sofrer os agravos que padece n'Este inefável Sacramento.

Com razão chamou São Gregório, o Grande entre os Doutores, máquina do entendimento, o amor: Amor est machina mentis. Porque, assim como as máquinas servem para levantar no ar pesos de extraordinária grandeza, assim o amor alivia suavemente as penas e os trabalhos, que por sua natureza são pesados. Não há maior prova dessa verdade do que o que o Amantíssimo Jesus Sacramentado sofre de Suas criaturas no mundo. Com as mesmas palavras com que Ele instituiu Este Sacramento, parece que Se empenhou a sofrer todas as sortes de ultrajes. Este é o Meu Corpo, disse Ele, quando O dava a comer a Seus Discípulos, Que por vosso amor será entregue e de mil modos ofendido. Eu O deixo Sacramentado e exposto à crueldade dos homens.

Não ficaram frustrados os insaciáveis desejos que Ele teve de padecer por nós; porque, sem dúvida, todos os tormentos que Jesus padeceu no Calvário, renova-os a malícia humana no Sacramento. Um Discípulo O vendeu em Jerusalém por trinta denários; por menos O comprou Sacramentado um herege na Pomerânia. Na Judeia fizeram os fariseus juntas e conselhos para matá-l'O. Na Alemanha se reuniram três luteranos, e, divididos por três partes do mundo, desafogaram seu ódio contra Este Augustíssimo Sacramento. Um deles, qual ímpio Malco, elevando o Sacerdote a Sagrada Hóstia, levantou a sacrílega mão, e, despedaçando-A, pisou-A com seus pés. Outro, qual cruel Longinos, atravessou-A com um punhal sobre o Altar. Finalmente outro, de mil modos, indignos de serem ditos, afrontou e atormentou o adorável Corpo do Redentor.

Tudo o sofreu o amantíssimo Cordeiro. Não quis Sacramentado ostentar Seu poder Aquele Senhor a Quem as Escrituras aclamam como Deus das vinganças. Aquele Que não dissimulou o arrojo de um Oza, que estendeu sua mão para sustentar a Arca. Aquele Que, por uma só mentira, castigou de morte a um Ananias. Aquele Que, por um desprezo feito ao Seu Profeta, mandou que a terra tragasse vivo um Abirão. Aquele Que, por uma só injúria dita a Eliseu, ordenou aos ursos que despedaçassem os insolentes mancebos. Esse é o Que agora sofre tantos agravos, que a impiedade e incredulidade dos homens fazem a Seu Corpo: que O pisem com os pés, que O transpassem com punhais e O joguem nos fornos.

Mas quem desarmou aquelas divinas mãos n'Este Sacramento, senão um infinito amor com que se deixou n'Ele para os homens? Quem as atou para não submergir, como em outros tampos, tantos malvados em dilúvios de água, e cobrir por menos culpas Cidades inteiras com fogo? Quem, senão o amor, O abranda dos agravos que Lhe fazem com as línguas e com as penas tantos reinos e províncias, que dentro da Cristandade vomitam o venenoso ódio que professam a Este Sacramento?

Quando Sansão repousou no regaço de Dalila, logo deu falta de suas forças; e aquelas mãos, acostumadas a estrangular leões e arrancar fortes colunas da terra, viram-se logo aprisionadas com pesadas cadeias. O mesmo fez o amor com Jesus Sacramentado. Repousou uma vez no seio dos homens, fez do coração das criaturas tálamo para Seu Corpo, e logo perdeu todas as Suas forças para castigá-las; e assim sofre agora as maiores ofensas quem primeiro não perdoava as faltas mais ligeiras. Porque esse amor grande, esse amor incomparável, não satisfeito de cravar-Lhe as mãos em um madeiro, as tem atadas fortemente no Sacramento.

(Finezas de Jesus Sacramentado para con los hombres, e ingratitudes de los hombres para con Jesus Sacramentado. Escrito en Toscano, y Portugués por el P. F. Juan Joseph de S. Teresa Carmelita Descalzo. y traducido en castellano por D. Iñigo Rosende presbitero. Con licencia. Barcelona: En la Imprenta de los Herederos de Maria Angela Marti, Plaza de S. Jayme, año 1775.)

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